domingo, 24 de julho de 2016
Não mexe comigo, que eu não ando só!!
" Compartilho com vocês essa música que me identifico, muito, transmite exatamente o que sinto, a segurança que tenho nas minhas entidades, nos meus Guias, nas minhas giras, guardiãs.. Sou cigana, sou preta velha, sou Bruxa velha feiticeira... Sou de Iansã, sou de Ogun, Xangô e tenho Bará que abre os caminhos pra mim.. Sou fé universalista, sou um tudo, saúdo todos os panteões, Saúdo todos os Orixás, ando na rua sem medo por que sou protegida pelo povo da rua, da calunga, da lomba, das encruzilhadas, minha mãe reina nas Almas... Posso me dobrar, beijar o chão, mas minha mãe não me deixa quebrar, não me deixa desistir.. Eu tenho pai Ogum guerreiro pra me proteger, meu pai Xangô para me livrar das injustiças e meu Pai Bará pra abrir todas as portas e me guiar pela escuridão. Tenho minha cigana que me cura, minha preta velha que me fecha meu corpo, minha Bruxa velha feiticeira que me dá a sabedoria e a intuição, minha Guardiã que guarda a mim com seus punhais afiados , meu Guardião que destranca as ruas e tranca todos para que nunca me alcance.
Minha Deusa Morrigam que me conduz na escuridão, minha Deusa Brigith que me ampara em suas 3 faces, nas minhas fraquezas da Donzela, nas minhas inseguranças de Mãe e me dá colo quando preciso de uma carinho e da sabedoria da velha. Da minha Deusa Gaia que está me abrindo para o meu Sagrado Feminino.
Eu sou todas as faces, eu tenho todas as faces, eu sou do vento, da guerra, da rua, da noite, da escuridão.
Eu sou Fênix Azul, aquela que renasce das cinzas e nunca desiste!! "
Não mexe comigo, que eu não ando só,
Eu não ando só, que eu não ando só.
Não mexe não! (2x)
Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos tupis,
Sou tupinambá, tenho os erês, caboclo boiadeiro,
Mãos de cura, morubichabas, cocares, Zarabatanas,curares, flechas e altares.
À velocidade da luz, o escuro da mata escura, o breu o silêncio a espera.
Eu tenho Jesus, Maria e José, e todos os pajés em minha companhia,
O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.
Não mexe comigo, que eu não ando só,
Eu não ando só, que eu não ando só.
Não mexe não! (2x)
Não misturo, não me dobro.
A rainha do mar anda de mãos dadas comigo,
Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.
É do ouro de Oxum que é feita a armadura que cobre meu corpo,
Garante meu sangue, minha garganta.
O veneno do mal não acha passagem
E em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o Caminho.
Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro.
Tô no recôncavo, tô em Fez.
Voo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas, durmo na forja de Ogum, mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.
Não ando no breu, nem ando na treva
Não ando no breu, nem ando na treva
É por onde eu vou, que o santo me leva
É por onde eu vou, que o santo me leva
Não ando no breu, nem ando na treva
Não ando no breu, nem ando na treva
É por onde eu vou, que o santo me leva
É por onde eu vou, que o santo me leva
Medo não me alcança.
No deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo.
Meus pés recebem bálsamos, unguentos suaves das mãos de Maria
Irmã de Marta e Lázaro, no Oásis de Bethânia.
Pensou que eu ando só? Atente ao tempo. Não começa, não termina, é nunca é sempre.
É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra, fulmina o injusto e deixa nua a Justiça.
Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,
E pra onde você for, não leva o meu nome não
E pra onde você for, não leva o meu nome não (2x)
Onde vai valente?
Você secou, seus olhos insones secaram, não veem brotar a relva que cresce livre e verde longe da tua cegueira.
Teus ouvidos se fecharam à todo som, qualquer música, nem o bem, nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe.
Você pisa na terra mas não sente, apenas pisa.
Apenas vaga sobre o planeta, e já nem ouve as teclas do teu piano.
Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona, não tem alma.
Você é o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.
O que é teu já tá guardado.
Não sou eu quem vou lhe dar,
Não sou eu quem vou lhe dar,
Não sou eu quem vou lhe dar.(2x)
Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.
Minha fome é matéria que você não alcança.
Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem fim dos versos, versos, versos, que brotam do poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.
Quando choro, se choro, é regar o capim que alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou.
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.
Eu ando de cara pra o vento na chuva, e quero me molhar.
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, nenhuma espada corta.
Não mexe comigo, que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só(2x)
Não mexe comigo!
Música de Maria Betânia
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