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domingo, 17 de outubro de 2010

Cap. XIX - O Papel do Medium nas comunicações

Influência do Espírito pessoal do médium. - Sistema dos médiuns inertes. -
Aptidão de certos médiuns para coisas de que nada conhecem: línguas, música,
desenho. - Dissertação de um Espírito sobre o papel dos médiuns.

No momento em que exerce a sua faculdade, está o médium em estado
perfeitamente normal?
"Está, às vezes, num estado, mais ou menos acentuado, de crise. E o que o
fadiga e é por isso que necessita de repouso. Porém, habitualmente, seu estado não
difere de modo sensível do estado normal, sobretudo se se trata de médiuns
escreventes."

O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as
comunicações que deva transmitir, provindas de outros Espíritos?
"Exerce, porquanto, se estes não lhe são simpáticos, pode ele alterar-lhes as
respostas e assimilá-las às suas próprias idéias e a seus pendores; não influencia, porém, os próprios Espíritos, autores das respostas; c onstitui-se apenas em mau intérprete."

A aptidão de certos médiuns para escrever numa língua que lhes é estranha
não provirá da circunstância de lhes ter sido familiar essa língua em outra existência e de haverem guardado a intuição dela?
"É certo que isto se pode dar, mas não constitui regra. Com algum esforço, o
Espírito pode vencer momentaneamente a resistência material que encontra. E o que
acontece quando o médium escreve, na língua que lhe é própria, palavras que não conhece".

Poderia um médium, muito pouco inteligente, transmitir comunicações de
ordem elevada?
"Sim, pela mesma razão por que um médium pode escrever numa língua que lhe
seja desconhecida. A mediunidade propriamente dita independe da inteligência, bem como das qualidades morais.
Em falta de instrumento melhor, pode o Espírito servir-se daquele que tem à mão.
Porém, é natural que, para as comunicações de certa ordem, prefira o médium que lhe
ofereça menos obstáculos materiais. Acresce outra consideração: o idiota muitas vezes
só o é pela imperfeição de seus órgãos, podendo, entretanto, seu Espírito ser mais
adiantado do que o julguem. Tens a prova disso em certas evocações de idiotas, mortos
ou vivos."

Essa também a razão por que um médium novato, que escreve penosa e lentamente, ainda que na sua própria língua, em geral não obtém mais do que respostas breves e sem desenvolvimento. Por isso, os Espíritos recomendam que, com um médium assim, só se lhes dirijam perguntas simples. Para as de grande alcance, faz-se mister um médium desenvolvido, que nenhuma dificuldade mecânica ofereça ao Espírito. Ninguém tomaria para seu ledor um estudante que estivesse aprendendo a soletrar. Um bom operário não gosta de servir-se de maus instrumentos.
Acrescentemos outra consideração de muita gravidade no que concerne às
línguas estrangeiras.

"Qualquer que seja a natureza dos médiuns escreventes, quer mecânicos ou
semimecânicos, quer simplesmente intuitivos, não variam essencialmente os nossos
processos de comunicação com eles. De fato, nós nos comunicamos com os Espíritos
encarnados dos médiuns, da mesma forma que com os Espíritos propriamente ditos, tãosó
pela irradiação do nosso pensamento.
"Os nossos pensamentos não precisam da vestidura da palavra, para serem
compreendidos pelos Espíritos e todos os Espíritos percebem os pensamentos que lhes
desejamos transmitir, sendo suficiente que lhes dirijamos esses pensamentos e isto em
razão de suas faculdades intelectuais. Quer dizer que tal pensamento tais ou quais
Espíritos o podem compreender, em virtude do adiantamento deles, ao passo que, para
tais outros, por não despertarem nenhuma lembrança, nenhum conhecimento que lhes
dormitem no fundo do coração, ou do cérebro, esses mesmos pensamentos não lhes são
perceptíveis. Neste caso, o Espírito encarnado, que nos serve de médium, é mais apto a exprimir o nosso pensamento a outros encarnados, se bem não o compreenda, do que
um Espírito desencarnado, mas pouco adiantado, se fôssemos forçado a servir-nos dele,
porquanto o ser terreno põe seu corpo, como instrumento, à nossa disposição, o que o
Espírito errante não pode fazer.
"Assim, quando encontramos em um médium o cérebro povoado de
conhecimentos adquiridos na sua vida atual e o seu Espírito rico de conhecimentos
latentes, obtidos em vidas anteriores, de natureza a nos facilitarem as comunicações,
dele de preferência nos servimos, porque com ele o fenômeno da comunicação se nos
toma muito mais fácil do que com um médium de inteligência limitada e de escassos
conhecimentos anteriormente adquiridos. Vamos fazer-nos compreensíveis por meio de
algumas explicações claras e precisas.
"Com um médium, cuja inteligência atual, ou anterior, se ache desenvolvida, o
nosso pensamento se comunica instantaneamente de Espírito a Espírito, por uma
faculdade peculiar à essência mesma do Espírito. Nesse caso, encontramos no cérebro
do médium os elementos próprios a dar ao nosso pensamento a vestidura da palavra que
lhe corresponda e isto quer o médium seja intuitivo, quer semimecânico, ou inteiramente mecânico. Essa a razão por que, seja qual for a diversidade dos Espíritos que se comunicam com um médium, os ditados que este obtém, embora procedendo de Espíritos diferentes, trazem, quanto à forma e ao colorido, o cunho que lhe é pessoal.

"Efetivamente, quando somos obrigados a servir-nos de médiuns pouco
adiantados, muito mais longo e penoso se torna o nosso trabalho, porque nos vemos
forçados a lançar mão de formas incompletas, o que é para nós uma complicação, pois
somos constrangidos a decompor os nossos pensamentos e a ditar palavra por palavra,
letra por letra, constituindo isso uma fadiga e um aborrecimento, assim como um
entrave real à presteza e ao desenvolvimento das nossas manifestações.
"Por isso é que gostamos de achar médiuns bem adestrados, bem aparelhados,
munidos de materiais prontos a serem utilizados, numa palavra: bons instrumentos,
porque então o nosso perispírito, atuando sobre o daquele a quem mediunizamos, nada
mais tem que fazer senão impulsionar a mão que nos serve de lapiseira, ou caneta,
enquanto que, com os médiuns insuficientes, somos obrigados a um trabalho análogo ao
que temos, quando nos comunicamos mediante pancadas, isto é, formando, letra por letra, palavra por palavra, cada uma das frases que traduzem os pensamentos que
vos queiramos transmitir.
"É por estas razões que de preferência nos dirigimos, para a divulgação do
Espiritismo e para o desenvolvimento das faculdades mediúnicas escreventes, às classes cultas e instruídas, embora seja nessas classes que se encontram os indivíduos mais incrédulos, mais rebeldes e mais imorais.

Cap. XVIII - Incoveniente e Perigos da Mediunidade

Influência do exercício da mediunidade sobre a saúde. - Idem sobre o cérebro.
- Idem sobre as crianças.

lª Será a faculdade mediúnica indício de um estado patológico qualquer, ou
de um estado simplesmente anômalo?
"Anômalo, às vezes, porém, não patológico; há médiuns de saúde robusta; os doentes o são por outras causas."

2ª O exercício da faculdade mediúnica pode causar fadiga?"O exercício muito prolongado de qualquer faculdade acarreta fadiga; a mediunidade está no mesmo caso, principalmente a que se aplica aos efeitos físicos, ela necessariamente ocasiona um dispêndio de fluido, que traz a fadiga, mas que se repara pelo repouso."

3ª Pode o exercício da mediunidade ter, de si mesmo, inconveniente, do ponto de
vista higiênico, abstração, feita do abuso?
"Há casos em que é prudente, necessária mesmo, a abstenção, ou, pelo menos, o exercício moderado, tudo dependendo do estado físico e moral do médium. Aliás, em geral; o médium o sente e, desde que experimente fadiga, deve abster-se."

4ª Haverá pessoas para quem esse exercício seja mais inconveniente do que para
outras?

"Já eu disse que isso depende do estado físico e moral do médium. Há pessoas
relativamente às quais se devem evitar todas as causas de sobreexcitação e o exercício da mediunidade é uma delas."

5ª Poderia a mediunidade produzir a loucura?"Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja predisposição para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial."

6ª Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças?"Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos
débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobreexcitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou,quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais."

7ª Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de efeitos
físicos, quer de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo inconveniente?
"Não; quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso O mesmo não acontece, quando é provocada e sobreexcitada. Nota que a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo."

8ª Em que idade se pode ocupar, sem inconvenientes, de mediunidade?"Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregarse a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo."

A prática do Espiritismo, como veremos mais adiante, demanda muito tato,
para a inutilização das tramas dos Espíritos enganadores. Se estes iludem a homens
feitos, claro é que a infância e a juventude mais expostas se acham a ser vítimas deles.
Sabe-se, além disso, que o recolhimento é uma condição sem a qual não se pode lidar
com Espíritos sérios. As evocações feitas estouvadamente e por gracejo constituem
verdadeira profanação, que facilita o acesso aos Espíritos zombeteiros, ou malfazejos.
Ora, não se podendo esperar de uma criança a gravidade necessária a semelhante ato,
muito de temer é que ela faça disso um brinquedo, se ficar entregue a si mesma. Ainda
nas condições mais favoráveis, é de desejar que uma criança dotada de faculdade
mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de pessoas experientes, que lhe
ensinem, pelo exemplo, o respeito devido às almas dos que viveram no mundo. Por aí se
vê que a questão de idade está subordinada às circunstâncias, assim de temperamento,
como de caráter. Todavia, o que ressalta com clareza das respostas acima é que não se
deve forçar o desenvolvimento dessas faculdades nas crianças, quando não é espontânea, e que, em todos os casos, se deve proceder com grande circunspeção, não convindo nem excitá-las, nem animá-las nas pessoas débeis. Do seu exercício cumpre afastar, por todos os meios possíveis, as que apresentem sintomas, ainda que mínimos, de excentricidade nas idéias, ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porquanto,nessas pessoas, há predisposição evidente para a loucura, que se pode manifestar por efeito de qualquer sobreexcitação. As idéias espíritas não têm, a esse respeito, maior influência do que outras, mas, vindo a loucura a declarar-se, tomará o caráter de preocupação dominante, como tomaria o caráter religioso, se a pessoa se entregasse em excesso às práticas de devoção, e a responsabilidade seria lançada ao Espiritismo. O que de melhor se tem a fazer com todo indivíduo que mostre tendência à idéia fixa é dar outra diretriz às suas preocupações, a fim de lhe proporcionar repouso aos órgãos enfraquecidos.
Chamamos, a propósito deste assunto, a atenção dos nossos leitores para o
parágrafo XII da "Introdução" de O Livro dos Espíritos.

Cap. XVII - DA FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS

Desenvolvimento da mediunidade. Mudança de caligrafia. - Perda e
suspensão da mediunidade


Desenvolvimento da mediunidade
Ocupar-nos-emos aqui, especialmente, com os médiuns escreventes, por
ser o gênero de mediunidade mais espalhado e, além disso, porque é, ao mesmo tempo,
o mais simples, o mais cômodo, o que dá resultados mais satisfatórios e completos. E
também o que toda gente ambiciona possuir. Infelizmente, até hoje, por nenhum
diagnóstico se pode inferir, ainda que aproximadamente, que alguém possua essa
faculdade. Os sinais físicos, em os quais algumas pessoas julgam ver indícios, nada têm de infalíveis. Ela se manifesta nas crianças e nos velhos, em homens e mulheres,
quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e moral. Só existe um meio de se lhe comprovar a existência. É experimentar.
Pode obter-se a escrita, como já vimos, com o auxílio das cestas e pranchetas,
ou, diretamente, com a mão. Sendo o mais fácil e, pode dizer-se, o único empregado
hoje, este último modo é o que recomendamos à preferência de todos. O processo é dos
mais simples: consiste unicamente em a pessoa tomar de um lápis e de papel e colocarse na posição de quem escreve, sem qualquer outro preparativo. Entretanto, para que alcance bom êxito, muitas recomendações se fazem indispensáveis.
Como disposição material, recomendamos se evite tudo o que possa
embaraçar o movimento da mão. E mesmo preferível que esta não descanse no papel. A
ponta do lápis deve encostar neste o bastante para traçar alguma coisa, mas não tanto
que ofereça resistência. Todas essas precauções se tomam inúteis, desde que se tenha
chegado a escrever correntemente, porque então nenhum obstáculo detém mais a mão.
São meras preliminares para o aprendiz.
É indiferente que se use da pena ou do lápis. Alguns médiuns preferem a
pena que, todavia, só pode servir para os que estejam formados e escrevem
pausadamente. Outros, porém, escrevem com tal velocidade, que o uso da pena seria
quase impossível, ou, pelo menos, muito incômodo. O mesmo sucede, quando a escrita
e feita às arrancadas e irregularmente, ou quando se manifestam Espíritos violentos, que batem com a ponta do lápis e a quebram, rasgando o papel.
O desejo natural de todo aspirante a médium é o de poder confabular com
os Espíritos das pessoas que lhe são caras; deve, porém, moderara sua impaciência,
porquanto a comunicação com determinado Espírito apresenta muitas vezes dificuldades
materiais que a tornam impossível ao principiante. Para que um Espírito possa
comunicar-se, preciso é que haja entre ele e o médium relações fluídicas, que nem
sempre se estabelecem instantaneamente. Só à medida que a faculdade se desenvolve, é
que o médium adquire pouco a pouco a aptidão necessária para pôr-se em comunicação
com o Espírito que se apresente. Pode dar-se, pois, que aquele com quem o médium
deseje comunicar-se, não esteja em condições propícias a fazê-lo, embora se ache
presente, como também pode acontecer que não tenha possibilidade, nem permissão
para acudir ao chamado que lhe é dirigido. Convém, por isso, que no começo ninguém
se obstine em chamar determinado Espírito, com exclusão de qualquer outro, pois
amiúde sucede não ser com esse que as relações fluídicas se estabelecem mais
facilmente, por maior que seja a simpatia que lhe vote o encarnado. Antes, pois, de
pensar em obter comunicações de tal ou tal Espírito, importa que o aspirante leve a
efeito o desenvolvimento da sua faculdade, para o que deve fazer um apelo geral e
dirigir-se principalmente ao seu anjo guardião.
Não há, para esse fim, nenhuma fórmula sacramental. Quem quer que pretenda
indicar alguma pode ser tachado, sem receio, de impostor, visto que para os Espíritos a forma nada vale. Contudo, a evocação deve sempre ser feita em nome de Deus. Poderse- á fazê-la nos termos seguintes, ou outros equivalentes: Rogo a Deus Todo-Poderoso que permita venha um bom Espírito comunicar-se comigo e fazer-me escrever; peço também ao meu anjo de guarda se digne de me assistir e de afastar os maus Espíritos.
Formulada a súplica, é esperar que um Espírito se manifeste, fazendo escrever alguma
coisa. Pode acontecer venha aquele que o impetrante deseja, como pode ocorrer
também venha um Espírito desconhecido ou o anjo de guarda. Qualquer que ele seja, em
todo caso, dar-se-á conhecer, escrevendo o seu nome. Mas, então apresenta-se a
questão da identidade, uma das que mais experiência requerem, por isso que poucos
principiantes haverá que não estejam expostos a ser enganados. Dela trataremos adiante, em capítulo especial.
Quando queira chamar determinados Espíritos, é essencial que o médium
comece por se dirigir somente aos que ele sabe serem bons e simpáticos e que podem ter motivo para acudir ao apelo, como parentes, ou amigos.
Neste caso, a evocação pode ser formulada assim: Em nome de Deus Todo-
Poderoso peço que tal Espírito se comunique comigo, ou então: Peço a Deus Todo-
Poderoso permita que tal Espírito se comunique comigo; ou qualquer outra fórmula
que corresponda ao mesmo pensamento. Não é menos necessário que as primeiras
perguntas sejam concebidas de tal sorte que as respostas possam ser dadas por um sim
ou um não, como por exemplo: Estas aí? Queres responder-me? Podes fazer-me
escrever? etc. Mais tarde essa precaução se torna inútil. No princípio, trata-se de
estabelecer assim uma relação. O essencial é que a pergunta não seja fútil, não diga
respeito a coisas de interesse particular e, sobretudo, seja a expressão de um sentimento de benevolência e simpatia para com o Espírito a quem é dirigida. (Veja-se adiante o capítulo especial sobre as Evocações.)
Coisa ainda mais importante a ser observada, do que o modo da evocação,
são a calma e o recolhimento, juntas ao desejo ardente e à firme vontade de conseguir-se o intuito. Por vontade, não entendemos aqui uma vontade efêmera, que age com intermitências e que outras preocupações interrompem a cada momento; mas, uma
vontade séria, perseverante, contínua, sem impaciência, sem febricitação. A solidão, o silêncio e o afastamento de tudo o que possa ser causa de distração favorecem o
recolhimento. Então, uma só coisa resta a fazer: renovar todos os dias a tentativa, por dez minutos, ou um quarto de hora, no máximo, de cada vez, durante quinze dias, um mês, dois meses e mais, se for preciso. Conhecemos médiuns que só se formaram depois de seis meses de exercício, ao passo que outros escrevem correntemente logo da
primeira vez.
Para se evitarem tentativas inúteis, pode consultar-se, por outro médium,
um Espírito sério e adiantado. De;, porém, notar-se que, quando alguém inquire dos
Espíritos se é médium ou não, eles quase sempre respondem afirmativamente, o que não
impede que os ensaios resultem infrutíferos. Isso se explica naturalmente. Desde que se faça ao Espírito uma pergunta de ordem geral, ele responde de modo geral. Ora, como se sabe, nada é mais elástico do que a faculdade mediúnica, pois que pode apresentar-se sob as mais variadas formas e em graus muito diferentes. Pode, portanto, uma pessoa ser médium, sem dar por isso, e num sentido diverso daquele que imagina. A esta pergunta vaga: Sou médium? O Espírito pode responder - Sim. A esta outra mais precisa: Sou médium escrevente? Pode responder - Não.
Deve também levar-se em conta a natureza do Espírito a quem é feita a
pergunta. Há-os tão levianos e ignorantes, que respondem a torto e a direito, como
verdadeiros estúrdios. Por isso aconselhamos se dirija o interrogante a Espíritos
esclarecidos, que, geralmente, respondem de boa-vontade a essas perguntas e indicam o
melhor caminho a seguir-se, desde que haja possibilidade de bom êxito.
Um meio que muito freqüentemente dá bom resultado consiste em
empregar-se, como auxiliar de ocasião, um bom médium escrevente, maleável, já
formado. Pondo ele a mão, ou os dedos, sobre a mão do que deseja escrever, raro é que
este último não o faça imediatamente. Compreende-se o que em tal circunstância se
passa: a mão que segura ó lápis se torna, de certo modo, um apêndice da mão do
médium, como o seria uma cesta, ou uma prancheta. Isto, porém, não impede que esse
exercício seja muito útil, quando é possível empregá-lo, visto que, repetido amiúde e
regularmente, ajuda a vencer o obstáculo material e provoca o desenvolvimento da
faculdade. Algumas vezes, basta mesmo que o médium magnetize, com essa intenção, a
mão e o braço daquele que quer escrever. Não raro até limitando-se o magnetizador a
colocar a mãono ombro daquele, temo-lo visto escrever prontamente sob essa influência. Idêntico efeito pode também produzir-se sem nenhum contacto, apenas por ato da vontade do auxiliar. Concebe-se facilmente que a confiança do magnetizador no seu poder, para produzir tal resultado, há de aí desempenhar papel importante e que um magnetizador incrédulo fraca ação ou nenhuma, exercerá.
O concurso de um guia experimentado é, além disso, muito útil, às vezes, para
apontar ao principiante uma porção de precauçõezinhas que ele freqüentemente
despreza, em detrimento da rapidez de seus progressos. Sobretudo o é para esclarecê-lo sobre a natureza das primeiras questões e sobre a maneira de propô-las. Seu papel é o de um professor, que o aprendiz dispensará logo que esteja bem habilitado.
Outro meio, que também pode contribuir fortemente para desenvolver a
faculdade, consiste em reunir-se certo número de pessoas, todas animadas do mesmo
desejo e comungando na mesma intenção. Feito isso, todas simultaneamente, guardando
absoluto silêncio e num recolhimento religioso, tentem escrever, apelando cada um para o seu anjo de guarda, ou para qualquer Espírito simpático. Ou, então, uma delas poderá dirigir, sem designação especial e por todos os presentes, um apelo aos bons Espíritos em geral, dizendo por exemplo: Em nome de Deus Todo-Poderoso, pedimos aos bons Espíritos que se dignem de comunicar-se por intermédio das pessoas aqui presentes. E raro que entre estas não haja algumas que dêem prontos sinais de mediunidade, ou que até escrevam correntemente em pouco tempo.
Compreende-se o que em tal caso ocorre. Os que se reúnem com um intento
comum formam um todo coletivo, cuja força e sensibilidade se encontram acrescidas por
uma espécie de influência magnética, que auxilia o desenvolvimento da faculdade. Entre os Espíritos atraídos por esse concurso de vontades estarão, provavelmente, alguns que descobrirão nos assistentes o instrumento que lhes convenha. Se não for este, será outro e eles se aproveitarão desse.
Este meio deve sobretudo ser empregado nos grupos espíritas a que faltam
médiuns, ou que não os possuam em número suficiente.
Têm-se procurado processos para a formação dos médiuns, como se têm
procurado diagnósticos; mas, até hoje nenhum conhecemos mais eficaz do que os que
indicamos. Na persuasão de ser uma resistência de ordem toda material o obstáculo que
encontra o desenvolvimento da faculdade, algumas pessoas pretendem vencê-la por
meio de uma espécie de ginástica quase deslocadora do braço e da cabeça. Não
descrevemos esse processo, que nos vem do outro lado do Atlântico, não só porque
nenhuma prova possuímos da sua eficiência, como também pela convicção que nutrimos
de que há de oferecer perigo para os de compleição delicada, pelo abalo do sistema
nervoso. Se não existirem rudimentos da faculdade, nada poderá produzi-los, nem
mesmo a eletrização, que já foi empregada, sem êxito, com o mesmo objetivo.
No médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida lhe
secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza de intenção, o desejo e a boavontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de
escrever a seu mau grado, enquanto que crentes sinceros não o conseguem, o que prova
que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica.
O primeiro indício de disposição para escrever é uma espécie de frêmito no
braço e na mão. Pouco a pouco, a mão é arrastada por uma impulsão que ela não logra
dominar. Muitas vezes, não traça senão riscos insignificantes; depois, os caracteres se desenham cada vez mais nitidamente e a escrita acaba por adquirir a rapidez da escrita ordinária. Em todos os casos, deve-se entregar a mão ao seu movimento
natural e não oferecer resistência, nem propeli-la.
Alguns médiuns escrevem desde o princípio correntemente com facilidade, às
vezes mesmo desde a primeira sessão, o que é muito raro. Outros, durante muito tempo,
traçam riscos e fazem verdadeiros exercícios caligráficos. Dizem os Espíritos que é para lhes soltar a mão. Em se prolongando demasiado esses exercícios, ou degenerando na grafia de sinais ridículos, não há duvidar de que se trata de um Espírito que se diverte, porquanto os bons Espíritos nunca fazem nada que seja inútil. Nesse caso, cumpre redobrar de fervor no apelo à assistência destes. Se, apesar de tudo, nenhuma alteração houver, deve o médium parar, uma vez reconheça que nada de sério obtém. A tentativa pode ser feita todos os dias, mas convém cesse aos primeiros sinais equívocos, a fim de não ser dada satisfação aos Espíritos zombeteiros.
A estas observações, acrescenta um Espírito: "Há médiuns cuja faculdade não
pode produzir senão esses sinais. Quando, ao cabo de alguns meses, nada mais obtém
do que coisas insignificantes, ora um sim, ora um não ou letras sem conexão, é inútil
continuarem, será gastar papel em pura perda. São médiuns, mas médiuns improdutivos.
Demais, as primeiras comunicações obtidas devem considerar-se meros exercícios,
tarefa que é confiada a Espíritos secundários. Não se lhes deve dar muita importância,visto que procedem de Espíritos empregados, por assim dizer, como mestres de escrita,para desembaraçarem o médium principiante. Não creiais sejam alguma vez Espíritos elevados os que se aplicam a fazer com o médium esses exercícios preparatórios;acontece, porém, que, se o médium não colima um fim sério, esses Espíritos continuam e acabam por se lhe ligarem. Quase todos os médiuns passaram por este cadinho, para se desenvolverem; cabe-lhes fazer o que seja preciso a captarem a simpatia dos Espíritos verdadeiramente superiores."
O escolho com que topa a maioria dos médiuns Principiantes é o de terem
de haver-se com Espíritos inferiores e devem dar-se por felizes quando são apenas
Espíritos levianos. Toda atenção precisam pôr em que tais Espíritos não assumam
predomínio, porquanto, em acontecendo isso, nem sempre lhes será fácil desembaraçarse
deles. É ponto este de tal modo capital, sobretudo em começo, que, não sendo
tomadas as precauções necessárias, podem perder-se os frutos das mais belas
faculdades.
A primeira condição é colocar-se o médium, com fé sincera, sob a proteção de
Deus e solicitar a assistência do seu anjo de guarda, que é sempre bom, ao passo que os espíritos familiares, por simpatizarem com as suas boas ou más qualidades, podem ser levianos ou mesmo maus.
A segunda condição é aplicar-se, com meticuloso cuidado, a reconhecer, por
todos os indícios que a experiência faculta, de que natureza são os primeiros Espíritos que se comunicam e dos quais manda a prudência sempre se desconfie. Se forem suspeitos esses indícios, dirigir fervoroso apelo ao seu anjo de guarda e repelir, com todas as forças, o mau Espírito, provando-lhe que não conseguirá enganar, a fim de que ele desanime. Por isso é que indispensável se faz o estudo prévio da teoria, para todo aquele que queira evitar os inconvenientes peculiares à experiência. A este respeito,instruções muito desenvolvidas se encontram nos capítulos Da obsessão e Da identidade dos Espíritos. Limitar-nos-emos aqui a dizer que, além da linguagem, podem considerar-se provas infalíveis da inferioridade dos Espíritos. todos os sinais, figuras,emblemas inúteis, ou pueris; toda escrita extravagante, irregular, intencionalmente torturada, de exageradas dimensões, apresentando formas ridículas e desusadas. A escrita pode ser muito má, mesmo pouco legível, sem que isso tenha o que quer que seja de insólito, porquanto é mais questão do médium que do Espírito. Temos visto médiuns de tal maneira enganados, que medem a superioridade dos Espíritos pelas dimensões das letras e que ligam grande importância às letras bem talhadas, como se foram letras de imprensa, puerilidade evidentemente incompatível com uma superioridade real.

Mudança de caligrafia

Um fenômeno muito comum nos médiuns escreventes é a mudança da
caligrafia, conforme os Espíritos que se comunicam. E o que há de mais notável é que
uma certa caligrafia se reproduz constantemente com determinado Espírito, sendo às
vezes idêntica à que este tinha em vida. Veremos mais tarde as conseqüências que daí se podem tirar, com relação à identidade dos Espíritos. A mudança da caligrafia só se dá com os médiuns mecânicos ou semimecânicos, porque neles é involuntário o movimento da mão e dirigido unicamente pelo Espírito. O mesmo já não sucede com os médiuns puramente intuitivos, visto que, neste caso, o Espírito apenas atua sobre o pensamento,sendo a mão dirigida, como nas circunstâncias ordinárias, pela vontade do médium.
Mas, a uniformidade da caligrafia, mesmo em se tratando de um médium mecânico, nada
absolutamente prova contra a sua faculdade, porquanto a variação da forma da escrita
não é condição absoluta, na manifestação dos Espíritos: deriva de uma aptidão especial, de que nem sempre são dotados os médiuns, ainda os mais mecânicos. Aos que a possuem damos a denominação de Médiuns polígrafos.

Perda e suspensão da mediunidade

A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e a suspensões
temporárias, quer para as manifestações físicas, quer para a escrita. Damos a seguir as respostas que obtivemos dos Espíritos a algumas perguntas feitas sobre este ponto:

1ª Podem os médiuns perder a faculdade que possuem?"Isso freqüentemente acontece, qualquer que seja o gênero da faculdade. Mas,
também, muitas vezes apenas se verifica uma interrupção passageira, que cessa com a
causa que a produziu."

2ª Estará no esgotamento do fluido a causa da perda da mediunidade?"Seja qual for a faculdade que o médium possua, ele nada pode sem o concurso
simpático dos Espíritos. Quando nada mais obtém, nem sempre é porque lhe falta a
faculdade; isso não raro se dá, porque os Espíritos não mais querem, ou podem servir-se dele."

3ª Que é o que pode causar o abandono de um médium, por parte dos Espíritos?"O que mais influi para que assim procedam os bons Espíritos é o uso que o
médium faz da sua faculdade. Podemos abandoná-lo, quando dela se serve para coisas
frívolas, ou com propósitos ambiciosos; quando se nega a transmitir as nossas palavras,ou os fatos por nós produzidos, aos encarnados que para ele apelam, ou que têm necessidade de ver para se convencerem. Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para o fim da sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o Espírito verifica que o médium já não corresponde às suas vistas e já não aproveita das instruções nem dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de um protegido mais digno."

4ª Não pode o Espírito que se afasta ser substituído e, neste caso, não se
conceberia a suspensão da faculdade?
"Espíritos não faltam, que outra coisa não desejam senão comunicar-se e que,
portanto, estão sempre prontos a substituir os que se afastam; mas, quando o que
abandona o médium é um Espírito bom, pode suceder que o seu afastamento seja apenas
temporário, para privá-lo, durante certo tempo, de toda comunicação, a fim de lhe
provar que a sua faculdade não depende dele médium e que, assim, razão não há para
dela se vangloriar. Essa impossibilidade temporária também serve para dar ao médium a
prova de que ele escreve sob uma influência estranha, pois, de outro modo, não haveria intermitências."

"Em suma, a interrupção da faculdade nem sempre é uma punição; demonstra às
vezes a solicitude do Espírito para com o médium, a quem consagra afeição, tendo por
objetivo proporcionar-lhe um repouso material de que o julgou necessitado, caso em que não permite que outros Espíritos o substituam."

5ª Vêem-se, no entanto, médiuns de muito mérito, moralmente falando, que
nenhuma necessidade de repouso sentem e que muito se contrariam com essas
interrupções, cujo fim lhes escapa.
"Servem para lhes pôr a paciência à prova e para lhes experimentar a perseverança. Por isso é que os Espíritos nenhum termo, em geral, assinam à suspensão da faculdade mediúnica; é para verem se o médium descoroçoa. E também para lhe dar tempo de meditar as instruções recebidas. Por essa meditação dos nossos ensinos é que reconhecemos os espíritas verdadeiramente sérios. Não podemos dar esse nome aos que, na realidade, não passam de amadores de comunicações."

6ª Será preciso então, que, nesse caso, o médium prossiga nas suas tentativas
para escrever?
"Se o Espírito lhe aconselhar isto, deve; se lhe disser que se abstenha, não deve."

7ª Haveria meio de abreviar essa prova?"A resignação e a prece. Demais, basta que faça cada dia uma tentativa de alguns
minutos, visto que inútil lhe será perder o tempo em ensaios infrutíferos. A tentativa só deve ter por fim verificar se já recobrou, ou não, a faculdade."

8ª A suspensão da faculdade não implica o afastamento dos Espíritos que
habitualmente se comunicam?
"De modo algum. O médium se encontra então na situação de uma pessoa que perdesse temporariamente a vista, a qual, por isso, não deixaria de estar rodeada de seus amigos, embora impossibilitada de os ver. Pode, portanto, o médium e até mesmo deve continuar a comunicar-se pelo pensamento com seus Espíritos familiares e persuadir-se de que é ouvido. Se é certo que a falta da mediunidade pode privá-lo das comunicações ostensivas com certos Espíritos, também certo é que não o pode privar das comunicações morais."

9ª Assim, a interrupção da faculdade mediúnica nem sempre traduz uma censura
da parte do Espírito?
"Não, sem dúvida, pois que pode ser uma prova de benevolência."

10ª Por que sinal se pode reconhecer a censura nesta interrupção?
"Interrogue o médium a sua consciência e inquira de si mesmo qual o uso que
tem feito da sua faculdade, qual o bem que dela tem resultado para os outros, que
proveito há tirado dos conselhos que se lhe têm dado e terá a resposta."

11ª O médium que ficou impossibilitado de escrever poderá recorrer a outro
médium?
"Depende da causa da interrupção, que tem por fim, amiúde, deixar-vos algum tempo sem comunicações, depois de vos terem dado conselhos, a fim de que vos não habitueis a nada fazer senão com o nosso concurso. Se este for o caso, ele nada obterá recorrendo a outro médium, o que também ocorre com o fim de vos provar que os
Espíritos são livres e que não está em vossas mãos obrigá-los a fazer o que queirais.
Ainda por esta razão é que os que não são médiuns nem sempre recebem todas as
comunicações que desejam."

NOTA. Deve-se efetivamente observar que aquele que recorre a terceiro para
obter comunicações, não obstante a qualidade do médium, muitas vezes nada de
satisfatório consegue, ao passo que doutras vezes as respostas são muito explicitas. Isso tanto depende da vontade do Espírito, que ninguém coisa alguma adianta mudando de médium. Os próprios Espíritos como que dão, a esse respeito, uns aos outros a palavra de ordem, porquanto o que não se obtiver de um, de nenhum mais se obterá. Cumpre então que nos abstenhamos de insistir e de impacientar-nos, se não quisermos ser vítimas de Espíritos enganadores, que responderão, dado procuremos à viva força uma resposta, deixando os bons que eles o façam, para nos punirem a insistência.


12ª Com que fim a Providência outorgou de maneira especial, a certos
indivíduos, o dom da mediunidade?

"É uma missão de que se incumbiram e cujo desempenho os faz ditosos. São os
intérpretes dos Espíritos com os homens."

13ª Entretanto, médiuns há que manifestam repugnância ao uso de suas
faculdades.

"São médiuns imperfeitos; desconhecem o valor da graça que lhes é concedida."

14ª Se é uma missão, como se explica que não constitua privilégio dos homens
de bem e que semelhante faculdade seja concedida a pessoas que nenhuma estima
merecem e que dela podem abusar?
"A faculdade lhes é concedida, porque precisam dela para se melhorarem, para ficarem em condições de receber bons ensinamentos. Se não aproveitam da concessão,sofrerão as conseqüências. Jesus não pregava de preferência aos pecadores, dizendo ser preciso dar àquele que não tem?"

15ª As pessoas que desejam muito escrever como médiuns, e que não o
conseguem, poderão concluir daí alguma coisa contra si mesmas, no tocante à
benevolência dos Espíritos para com elas?
"Não, pois pode dar-se que Deus lhe haja negado essa faculdade, como negado tenha o dom da poesia, ou da música. Porém, se não forem objeto desse favor, podem ter sido de outros."

16ª Como pode um homem aperfeiçoar-se mediante o ensino dos Espíritos,
quando não tem, nem por si mesmo, nem com o auxílio de outros médiuns, os meios de
receber de modo direto esse ensinamento?
"Não tem ele os livros, como tem o cristão o Evangelho? Para praticar a moral de Jesus, não é preciso que o cristão tenha ouvido as palavras ao lhe saírem da boca."

Cap. XVI - Médiuns Especiais ( segunda parte)

3º - Segundo o gênero e a particularidade das comunicações

Médiuns versejadores: obtêm, mais facilmente do que outros, comunicações em verso. Muito comuns, para maus versos; muito raros, para versos bons.

Médiuns poéticos: sem serem versificadas, as comunicações que recebem têm qualquer coisa de vaporoso, de sentimental; nada que mostre rudeza. São, mais do que os outros, próprios para a expressão de sentimentos ternos e afetuosos. Tudo, nas suas comunicações, é vago; fora inútil pedir-lhes idéias precisas. Muito comuns.

Médiuns positivos: suas comunicações têm, geralmente, um cunho de nitidez e precisão, que muito se presta às minúcias circunstanciadas, aos informes exatos. Muitoraros.

Médiuns literários: não apresentam nem o que há de impreciso nos médiuns poéticos,nem o terra-a-terra dos médiuns positivos; porém, dissertam com sagacidade. Têm o estilo correto, elegante e, freqüentemente, de notável eloqüência.

Médiuns incorretos: podem obter excelentes coisas, pensamentos de inatacável moralidade, mas num estilo prolixo, incorreto, sobrecarregado de repetições e de termos impróprios.
"A incorreção material do estilo decorre geralmente de falta de cultura
intelectual do médium que, então, não é, sob esse aspecto, um bom instrumento para o
Espírito, que a isso, aliás, pouca importância liga. Tendo como essencial o pensamento,ele vos deixa a liberdade de dar lhe a forma que convenha. Já assim não é com relação às idéias falsas e ilógicas que uma
comunicação possa conter, as quais constituem sempre um índice da inferioridade do
Espírito que se manifesta."

Médiuns historiadores: os que revelam aptidão especial para as explanações históricas. Esta faculdade, como todas as demais, independe dos conhecimentos do médium, porquanto não é raro verem-se pessoas sem instrução e até crianças tratar de assuntos que lhes não estão ao alcance. Variedade rara dos médiuns positivos.

Médiuns científicos: não dizemos sábios, porque podem ser muito ignorantes e, apesar disso, se mostram especialmente aptos para comunicações relativas às ciências.

Médiuns receitistas: têm a especialidade de servirem mais facilmente de intérpretes aos Espíritos para as prescrições médicas. Importa não os confundir com os médiuns curadores, visto que absolutamente não fazem mais do que transmitir o pensamento do Espírito, sem exercerem por si mesmos influência alguma. Muito comuns.

Médiuns religiosos: recebem especialmente comunicações de caráter religioso,ou que tratam de questões religiosas, sem embargo de suas crenças, ou hábitos.

Médiuns filósofos e moralistas: as comunicações que recebem têm geralmente por objeto as questões de moral e de alta filosofia. Muito comuns, quanto à moral.

"Todos estes matizes constituem variedades de aptidões dos médiuns bons.
Quanto aos que têm uma aptidão especial para comunicações científicas, históricas,
médicas e outras, fora do alcance de suas especialidades atuais, fica certo de que
possuíram, em anterior existência, esses conhecimentos, que permaneceram neles em
estado latente, fazendo parte dos materiais cerebrais de que necessita o Espírito que se manifesta; são os elementos que a este abrem caminho para a transmissão de idéias que lhe são próprias, porquanto, em tais médiuns encontra ele instrumentos mais inteligentes e mais maleáveis do que num ignaro." - (Erasto.)

Médiuns de comunicações triviais e obscenas: estas palavras indicam o gênero de comunicações que alguns médiuns recebem habitualmente e a natureza dos Espíritos que as dão. Quem haja estudado o mundo espírita, em todos os graus da escala, sabe que Espíritos há, cuja perversidade iguala à dos homens mais depravados e que se comprazem em exprimir seus pensamentos nos mais grosseiros termos. Outros,, menos abjetos, se contentam com expressões triviais. E natural que esses médiuns sintam o desejo de se verem livres da preferência de que são objeto por parte de semelhantes Espíritos e que devem invejar os que, nas comunicações que recebem, jamais escreveram uma palavra inconveniente.
Fora necessário uma estranha aberração de idéias e estar divorciado do bom senso, para acreditar que semelhante linguagem possa ser usada por Espíritos bons.

4º - Segundo as qualidades físicas do médium

Médiuns calmos: escrevem sempre com certa lentidão e sem experimentar a mais ligeira agitação.

Médiuns velozes: escrevem com rapidez maior do que poderiam
voluntariamente, no estado ordinário. Os Espíritos se comunicam por meio deles com a
rapidez do relâmpago. Dir-se-ia haver neles uma superabundância de fluido, que lhes
permite identificarem-se instantaneamente com o Espírito. Esta qualidade apresenta às
vezes seu inconveniente: o de que a rapidez da escrita a toma muito difícil de ser lida, por quem quer que não seja o médium.
"É mesmo muito fatigante, porque desprende muito fluido inutilmente."

Médiuns convulsivos: ficam num estado de sobreexcitação quase febril. A mão e algumas vezes todo o corpo se lhes agitam num tremor que é impossível dominar. A causa primária desse fato está sem dúvida na organização, mas também depende muito da natureza dos Espíritos que por eles se comunicam. Os bons e benévolos produzem sempre uma impressão suave e agradável; os maus, ao contrário, produzem-na penosa.
"É preciso que esses médiuns só raramente se sirvam de sua faculdade
mediúnica, cujo uso freqüente lhes poderia afetar o Sistema nervoso." (Capítulo "Da
identidade dos Espíritos", diferenciação dos bons e maus Espíritos.)

5º - Segundo as qualidades morais dos médiuns

Mencionamo-las sumariamente e de memória, apenas para completar o quadro,
visto que serão desenvolvidas adiante, nos capítulos: Da influência moral do médium,
Da obsessão, Da identidade dos Espíritos e outros, para os quais chamamos
particularmente a atenção do leitor. Aí se verá a influência que as qualidades e os
defeitos dos médiuns pode exercer na segurança das comunicações e quais os que com
razão se podem considerar médiuns imperfeitos ou bons médiuns.

Médiuns imperfeitos

Médiuns obsidiados: os que não podem desembaraçar-se de Espíritos
importunos e enganadores, mas não se iludem.

Médiuns fascinados: os que são iludidos por Espíritos enganadores e se iludem sobre a natureza das comunicações que recebem.

Médiuns subjugados: os que sofrem uma dominação moral e, muitas vezes,material da parte de maus Espíritos.

Médiuns levianos: os que não tomam a sério suas faculdades e delas só se servem por divertimento, ou para futilidades.

Médiuns indiferentes: os que nenhum proveito moral tiram das instruções que obtêm e em nada modificam o proceder e os hábitos.

Médiuns presunçosos: os que têm a pretensão de se acharem em relação
somente com Espíritos superiores. Crêem-se infalíveis e consideram inferior e errôneo
tudo o que deles não provenha.

Médiuns orgulhosos: os que se envaidecem das comunicações que lhes são dadas; julgam que nada mais têm que aprender no Espiritismo e não tomam para si as lições que recebem freqüentemente dos Espíritos. Não se contentam com as faculdades que possuem, querem tê-las todas.

Médiuns suscetíveis: variedade dos médiuns orgulhosos, suscetibilizam-se com as críticas de que sejam objeto suas comunicações; zangam-se com a menor contradição e, se mostram o que obtêm, é para que seja admirado e não para que se lhes dê um parecer. Geralmente, tomam aversão às pessoas que os não aplaudem sem restrições e fogem das reuniões onde não possam impor-se e dominar.
"Deixai que se vão pavonear algures e procurar ouvidos mais complacentes, ou
que se isolem; nada perdem as reuniões que da presença deles ficam privadas." -
ERASTO.

Médiuns mercenários: os que exploram suas faculdades.

Médiuns ambiciosos: os que, embora não mercadejem com as faculdades que possuem, esperam tirar delas quaisquer vantagens.

Médiuns de má-fé: os que, possuindo faculdades reais, simulam as de que carecem, para se darem importância. Não se podem designar pelo nome de médium as
pessoas que, nenhuma faculdade mediúnica possuindo, só produzem certos efeitos por
meio da charlatanaria.

Médiuns egoístas: os que somente no seu interesse pessoal se servem de suas faculdades e guardam para si as comunicações que recebem.

Médiuns invejosos: os que se mostram despeitados com o maior apreço
dispensado a outros médiuns, que lhes são superiores.
Todas estas más qualidades têm necessariamente seu oposto no bem.

Bons médiuns

Médiuns sérios: os que unicamente para o bem se servem de suas faculdades e para fins verdadeiramente úteis. Acreditam profaná-las, utilizando-se delas para satisfação de curiosos e de indiferentes, ou para futilidades.

Médiuns modestos: os que nenhum reclamo fazem das comunicações que
recebem, por mais belas que sejam. Consideram-se estranhos a elas e não se julgam ao
abrigo das mistificações. Longe de evitarem as opiniões desinteressadas, solicitam-nas.

Médiuns devotados: os que compreendem que o verdadeiro médium tem uma missão a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar gostos, hábitos, prazeres, tempo e mesmo interesses materiais ao bem dos outros.

Médiuns seguros: os que, além da facilidade de execução, merecem toda a confiança, pelo próprio caráter, pela natureza elevada dos Espíritos que os assistem; os que, portanto, menos expostos se acham a ser iludidos. Veremos mais tarde que esta segurança de modo 'algum depende dos nomes mais ou menos respeitáveis com que os Espíritos se manifestem.
"É incontestável, bem o sentis, que, epilogando assim as qualidades e os defeitos
dos médiuns, isto suscitará contrariedades e até a animosidade de alguns; mas, que
importa? A mediunidade se espalha cada vez mais e o médium que levasse a mal estas
reflexões, apenas uma coisa provaria: que não é bom médium, isto é, que tem a assisti-lo Espíritos maus. Ao demais, como já eu disse, tudo isto será passageiro e os maus médiuns, os que abusam, ou usam mal de suas faculdades, experimentarão tristes conseqüências, conforme já se tem dado com alguns. Aprenderão à sua custa o que resulta de aplicarem, no interesse de suas paixões terrenas, um dom que Deus lhes outorgara unicamente para o adiantamento moral deles. Se os não puderdes reconduzir ao bom caminho, lamentai-os, porquanto, posso dizê-lo, Deus os reprova." - (ERASTO.)
"Este quadro é de grande importância, não si para os médiuns sinceros que,
lendo-o, procurarem de boa-fé preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas
também para todos os que se servem dos médiuns, porque lhes dará a medida do que
podem racionalmente esperar. Ele deverá estar constantemente sob as vistas de todo
aquele que se ocupa de manifestações, do mesmo modo que a escala espírita, a que
serve de complemento. Esses dois quadros reúnem todos os princípios da Doutrina e contribuirão, mais do que o supondes, para trazer o Espiritismo ao
verdadeiro caminho." (SÓCRATES.)

Cap. XVI - Médiuns Especiais

Aptidões especiais dos médiuns. Quadro sinóptico das
diferentes espécies de médiuns.



Vamos fazer um resumo dos principais gêneros de mediunidade, a fim de
apresentarmos, por assim dizer, o quadro sinóptico de todas, compreendidas as que já
descrevemos nos capítulos precedentes, indicando o número onde tratamos de cada uma
com mais minúcias.
Grupamos as diferentes espécies de médiuns por analogia de causas e efeitos,
sem que esta classificação algo tenha de absoluto. Algumas se encontram com facilidade; outras, ao contrário, são raras e excepcionais, o que teremos o cuidado de indicar. Estas últimas indicações foram todas feitas pelos Espíritos, que, aliás, reviram este quadro com particular cuidado e o completaram por meio de numerosas observações e novas categorias, de sorte que o
dito quadro é, a bem dizer, obra deles. Mediante aspas, destacamos as suas observações textuais, sempre que nos pareceu conveniente assiná-las. São, na sua maioria, de Erasto e de Sócrates.

Podem dividir-se os médiuns em duas grandes categorias:

Médiuns de efeitos físicos, os que têm o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações ostensivas.

Médiuns de efeitos intelectuais, os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.
Todas as outras espécies se prendem mais ou menos diretamente a uma ou outra
dessas duas categorias; algumas participam de ambas. Se analisarmos os diferentes
fenômenos produzidos sob a influência mediúnica, veremos que, em todos, há um efeito
físico e que aos efeitos físicos se alia quase sempre um efeito inteligente. Difícil é muitas vezes determinar o limite entre os dois, mas isso nenhuma conseqüência apresenta. Sob a denominação de médiuns de efeitos intelectuais abrangemos os que podem, mais particularmente, servir de intermediários para as comunicações regulares e fluentes.

Espécies comuns a todos os gêneros de mediunidade


Médiuns sensitivos: pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos, por uma impressão geral ou local, vaga ou material. A maioria dessas pessoas distingue os Espíritos bons dos maus, pela natureza da impressão. "Os médiuns delicados e muito sensitivos devem abster-se das comunicações com os Espíritos violentos, ou cuja impressão é penosa, por causa da fadiga que daí resulta."

Médiuns naturais ou inconscientes: os que produzem espontaneamente os fenômenos, sem intervenção da própria vontade e, as mais das vezes, à sua revelia.

Médiuns facultativos ou voluntários: os que têm o poder de provocar os fenômenos por ato da própria vontade.
"Qualquer que seja essa vontade, eles nada podem, se os Espíritos se recusam, o
que prova a intervenção de uma força estranha."

Variedades especiais para os efeitos físicos

Médiuns tiptólogos: aqueles pela influência dos quais se produzem os ruídos, as pancadas. Variedade muito comum, com ou sem intervenção da vontade.
Médiuns motores: os que produzem o movimento dos corpos inertes. Muito
comuns.

Médiuns de translações e de suspensões: os que produzem a translação aérea e a suspensão dos corpos inertes no espaço, sem ponto de apoio. Entre eles há os que podem elevar-se a si mesmos. Mais ou menos raros, conforme a amplitude do fenômeno; muito raros, no último caso.

Médiuns de efeitos musicais: provocam a execução de composições, em certos instrumentos de música, sem contacto com estes. Muito raros.

Médiuns de aparições: os que podem provocar aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Muito excepcionais.

Médiuns de transporte: os que podem servir de auxiliares aos Espíritos para o transporte de objetos materiais.

Variedade dos médiuns motores e de translações. Excepcionais.

Médiuns noturnos: os que só na obscuridade obtêm certos efeitos físicos. É a seguinte a resposta que nos deu um Espírito à pergunta que fizemos sobre se se podem considerar esses médiuns como constituindo uma variedade:
"Certamente se pode fazer disso uma especialidade, mas esse fenômeno é devido
mais às condições ambientes do que à natureza do médium, ou dos Espíritos. Devo
acrescentar que alguns escapam a essa influência do meio e que os médiuns noturnos,
em sua maioria, poderiam chegar, pelo exercício, a operar tão bem no claro, quanto na
obscuridade. É pouco numerosa esta espécie de médiuns. E, cumpre dizê-lo, graças a
essa condição, que oferece plena liberdade ao emprego dos truques da ventriloquia e
dos tubos acústicos, é que os charlatães hão abusado muito da credulidade, fazendo-se
passar por médiuns, a fim de ganharem dinheiro. Mas, que importa? Os trampolineiros
de gabinete, como os da praça pública, serão cruelmente desmascarados e os Espíritos
lhes provarão que andam mal, imiscuindo-se na obra deles. Repito: alguns charlatães
receberão, de modo bastante rude, o castigo que os desgostará do oficio de falsos
médiuns. Aliás, tudo isso pouco durará." - ERASTO.

Médiuns pneumatógrafos os que obtêm a escrita direta. Fenômeno muito raro e, sobretudo, muito fácil de ser imitado pelos trapaceiros.
Os Espíritos insistiram, contra a nossa opinião, em incluir a escrita direta
entre os fenômenos de ordem física, pela razão, disseram eles, de que: "Os efeitos
inteligentes são aqueles para cuja produção o Espírito se serve dos materiais existentes no cérebro do médium, o que não se dá na escrita direta. A ação do médium é aqui toda material, ao passo que no médium escrevente, ainda que completamente mecânico, o cérebro desempenha sempre um papel ativo."

Médiuns curadores: os que têm o poder de curar ou de aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pela prece.

DOS MÉDIUNS ESPECIAIS

"Esta faculdade não é essencialmente mediúnica; possuem-na todos os
verdadeiros crentes, sejam médiuns ou não. As mais das vezes, é apenas uma exaltação
do poder magnético, fortalecido, se necessário, pelo concurso de bons Espíritos."

Médiuns excitadores: pessoas que têm o poder de, por sua influência,
desenvolver nas outras a faculdade de escrever.
"Aí há antes um efeito magnético do que um caso de mediunidade propriamente
dita, porquanto nada prova a intervenção de um Espírito. Como quer que seja, pertence
à categoria dos efeitos físicos."

Médiuns especiais para efeitos intelectuais.
Aptidões diversas

Médiuns audientes: os que ouvem os Espíritos. Muito comuns.
"Muitos há que imaginam ouvir o que apenas lhes está na imaginação."

Médiuns falantes: os que falam sob a influência dos Espíritos. Muito comuns.

Médiuns videntes: os que, em estado de vigília, vêem os Espíritos. A visão acidental e fortuita de um Espírito, numa circunstância especial, é muito freqüente; mas,a visão habitual, ou facultativa dos Espíritos, sem distinção, é excepcional.
"É uma aptidão a que se opõe o estado atual dos órgãos visuais. Por isso é que
cumpre nem sempre acreditar na palavra dos que dizem ver os Espíritos."

Médiuns inspirados: aqueles a quem, quase sempre mau grado seu, os Espíritos sugerem idéias, quer relativas aos atos ordinários da vida, quer com relação aos grandes trabalhos da inteligência.

Médiuns de pressentimentos: pessoas que, em dadas circunstâncias, têm uma intuição vaga de coisas vulgares que ocorrerão no futuro.

Médiuns proféticos: variedade dos médiuns inspirados, ou de pressentimentos.
Recebem, permitindo-o Deus, com mais precisão do que os médiuns de
pressentimentos, a revelação de futuras coisas de interesse geral e são incumbidos de dálas a conhecer aos homens, para instrução destes.
"Se há profetas verdadeiros, mais ainda os há falsos, que consideram revelações
os devaneios da própria imaginação, quando não são embusteiros que, por ambição, se
apresentam como tais." (Veja-se, em O Livro dos Espíritos, o n. 624 - "Características do verdadeiro profeta".)

Médiuns sonâmbulos: os que, em estado de sonambulismo, são assistidos por Espíritos.

Médiuns extáticos: os que, em estado de êxtase, recebem revelações da parte dos Espíritos.
"Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos zombeteiros
que se aproveitam da exaltação deles. São raríssimos os que mereçam inteira confiança."

Médiuns pintores ou desenhistas: os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos. Falamos dos que obtêm trabalhos sérios, visto não se poder dar esse nome a certos médiuns que Espíritos zombeteiros levam a fazer coisas grotescas, que desabonariam o mais atrasado estudante.
Os Espíritos levianos se comprazem em imitar. Na época em que apareceram os
notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos médiuns desenhistas,
que Espíritos levianos induziram a fazer as coisas mais ridículas. Um deles, entre outros, querendo eclipsar os desenhos de Júpiter, ao menos nas dimensões, quando não fosse na qualidade, fez que um médium desenhasse um monumento que ocupava muitas folhas de papel para chegar à altura de dois andares. Muitos outros se divertiram fazendo que os médiuns pintassem supostos retratos, que eram verdadeiras caricaturas. (Revue Spirite,agosto de 1858.)

Médiuns músicos: os que executam, compõem, ou escrevem músicas, sob a influência dos Espíritos. Há médiuns músicos, mecânicos, semimecânicos, intuitivos e inspirados, como os há para as comunicações literárias.


VARIEDADES DOS MÉDIUNS ESCREVENTES

1º - Segundo o modo de execução

Médiuns escreventes ou psicógrafos: os que têm a faculdade de escrever por si mesmos sob a influência dos Espíritos.

Médiuns escreventes mecânicos: aqueles cuja mão recebe um impulso
involuntário e que nenhuma consciência têm do que escrevem. Muito raros. (N. 179).

Médiuns semimecânicos: aqueles cuja mão se move involuntariamente, mas que têm, instantaneamente, consciência das palavras ou das frases, à medida que escrevem. São os mais comuns.

Médiuns intuitivos: aqueles com quem os Espíritos se comunicam pelo
pensamento e cuja mão é conduzida voluntariamente. Diferem dos médiuns inspirados
em que estes últimos não precisam escrever, ao passo que o médium intuitivo escreve o
pensamento que lhe é sugerido instantaneamente sobre um assunto determinado e
provocado.
"São muito comuns, mas também muito sujeitos a erro, por não poderem, multas
vezes, discernir o que provem dos Espíritos do que deles próprios emana."

Médiuns polígrafos: aqueles cuja escrita muda com o Espírito que se comunica,ou aptos a reproduzir a escrita que o Espírito tinha em vida. O primeiro caso é muito vulgar; o segundo, o da identidade da escrita, é mais raro.

Médiuns poliglotas: os que têm a faculdade de falar, ou escrever, em línguas que lhes são desconhecidas. Muito raros.

Médiuns iletrados: os que escrevem, como médiuns, sem saberem ler, nem escrever, no estado ordinário.


2º - Segundo o desenvolvimento da faculdade

Médiuns novatos: aqueles cujas faculdades ainda não estão completamente desenvolvidas e que carecem da necessária experiência.

Médiuns improdutivos: os que não chegam a obter mais do que coisas
insignificantes, monossílabos, traços ou letras sem conexão. (Veja-se o capítulo "Da
formação dos médiuns”.)

Médiuns feitos ou formados: aqueles cujas faculdades mediúnicas estão completamente desenvolvidas, que transmitem as comunicações com facilidade e
presteza, sem hesitação. Concebe-se que este resultado só pelo hábito pode ser
conseguido, porquanto nos médiuns novatos as comunicações são lentas e difíceis.

Médiuns lacônicos: aqueles cujas comunicações, embora recebidas com
facilidade, são breves e sem desenvolvimento.

Médiuns explícitos: as comunicações que recebem têm toda a amplitude e toda a extensão que se podem esperar de um escritor consumado.
"Esta aptidão resulta da expansão e da facilidade de combinação dos fluidos. Os
Espíritos os procuram para tratar de assuntos que comportam grandes
desenvolvimentos."

Médiuns experimentados: a facilidade de execução é uma questão de hábito e que muitas vezes se adquire em pouco tempo, enquanto que a experiência resulta de um estudo sério de todas as dificuldades que se apresentam na prática do Espiritismo. A experiência dá ao médium o tato necessário para apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, para lhes apreciar as qualidades boas ou más, pelos mais minuciosos sinais, para distinguir o embuste dos Espíritos zombeteiros, que se acobertam com as aparências da verdade. Facilmente se compreende a importância desta qualidade, sem a qual todas as Outras ficam destituídas de real utilidade. O mal é que muitos médiuns confundem a experiência, fruto do estudo, com a aptidão, produto da organização física. Julgam-se mestres, porque escrevem com facilidade; repelem todos os conselhos e se tomam presas de Espíritos mentirosos e hipócritas, que os captam, lisonjeando-lhes o orgulho. (Veja-se, adiante, o capítulo "Da
obsessão".)

Médiuns maleáveis: aqueles cuja faculdade se presta mais facilmente aos diversos gêneros de comunicações e pelos quais todos os Espíritos, ou quase todos,podem manifestar-se, espontaneamente, ou por evocação.
"Esta espécie de médiuns se aproxima muito da dos médiuns sensitivos."

Médiuns exclusivos: aqueles pelos quais se manifesta de preferência um Espírito,até com exclusão de todos os demais, o qual responde pelos outros que são chamados.
"Isto resulta sempre de falta de maleabilidade. Quando o Espírito é bom, pode
ligar-se ao médium, por simpatia, ou com um intento louvável; quando mau, é sempre
objetivando pôr o médium na sua dependência. E mais um defeito do que uma qualidade
e muito próximo da obsessão." (Veja-se o capítulo "Da obsessão".)

Médiuns para evocação: os médiuns maleáveis são naturalmente os mais
próprios para este gênero de comunicação e para as questões de minudências que se
podem propor aos Espíritos. Sob este aspecto, há médiuns inteiramente especiais.
"As respostas que dão não saem quase nunca de um quadro restrito,
incompatível com o desenvolvimento dos assuntos gerais."

Médiuns para ditados espontâneos: recebem comunicações espontâneas de Espíritos que se apresentam sem ser chamados. Quando esta faculdade é especial num
médium, torna-se difícil, às vezes impossível mesmo, fazer-se por ele urna evocação.
"Entretanto, são mais bem aparelhados que os da classe precedente. Atenta em
que o aparelhamento de que aqui se trata é o de materiais do cérebro, pois mister se faz, freqüentemente, direi mesmo - sempre, maior soma de inteligência para os ditados espontâneos, do que para as evocações. Entende por ditados espontâneos os que verdadeiramente merecem essa denominação e não algumas frases incompletas ou algumas idéias corriqueiras, que se deparam em todos os escritos humanos."


Cap. XV- Médiuns Escreventes ou Psicógrafos

Médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados ou involuntários; de
pressentimentos
.

Médiuns mecânicos

Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa,
da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma ação diretamente
exercida pelo Espírito sobre esses objetos. A cesta se agita por vezes com tanta
violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas pessoas da
assistência para nelas bater. Outras vezes, seus movimentos dão mostra de um
sentimento afetuoso. O mesmo ocorre quando o lápis está colocado na mão do médium;
freqüentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão, bem como a cesta, se
agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico, ainda quando o médium
está possuído da maior calma e se admira de não ser senhor de si Digamos, de
passagem, que tais efeitos demonstram sempre a presença de Espíritos imperfeitos; os
Espíritos superiores são constantemente calmos, dignos e benévolos; se não são
escutados convenientemente, retiram-se e outros lhes tomam o lugar. Pode, pois, o
Espírito exprimir diretamente suas idéias, quer movimentando um objeto a que a mão do
médium serve de simples ponto de apoio, quer acionando a própria mão.
Quando atua diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo
independente da vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do
médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e pára, assim ele acaba.
Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a
menor consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta;
têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade, por não
permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

Médiuns intuitivos

A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do
médium, ou, melhor, de sua alma,não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis.
Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto
que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal
circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento
do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que
escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. E o que se chama médium
intuitivo.
Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e
não o do médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode
acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível reconhecer-se o
pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai
sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que antecipadamente se formara. Pode
mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium.
O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como
o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendêlo,
apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse
pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do
médium intuitivo.

Médiuns semimecânicos

No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade;

no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o. Estes últimos médiuns são os mais numerosos.


Médiuns inspirados


Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo
pensamento, comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas, pode ser incluído na
categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da
mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí
muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o
pensamento próprio do que lhe é sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo,
caracteriza o pensamento deste último gênero. A inspiração nos vem dos Espíritos que
nos influenciam para o bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que
querem o nosso bem e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir.
Ela se aplica, em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar. Sob
esse aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha
seus Espíritos protetores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos protegidos
salutares idéias. Se todos estivessem bem compenetrados desta verdade, ninguém
deixaria de recorrer com freqüência à inspiração do seu anjo de guarda, nos momentos
em que se não sabe o que dizer, ou fazer. Que cada um, pois, o invoque com fervor e
confiança, em caso de necessidade, e muito freqüentemente se admirará das idéias que
lhe surgem como por encanto, quer se trate de uma resolução a tomar, quer de alguma
coisa a compor. Se nenhuma idéia surge, é que é preciso esperar. A prova de que a idéia
que sobrevém é estranha à pessoa de quem se trate esta em que, se tal idéia lhe existira
na mente, essa pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria
razão para que ela se não manifestasse à vontade. Quem não é cego nada mais precisa
fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser. Do mesmo modo, aquele que possui idéias próprias tem-nas sempre à disposição. Se elas não lhes vêm quando quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo.
Também se podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de
inteligência fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma
lucidez intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e
de elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras. Nesses momentos,
que com acerto se chamam de inspiração, as idéias abundam, sob um impulso
involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior nos vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo.


Médiuns de pressentimentos

O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas
têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de
dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e,sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos,q ue constituem uma variedade dosm édiuns inspirados.

domingo, 15 de agosto de 2010

Médiuns Falantes e Audientes

Médiuns Audientes: Como o nome mesmo diz, tem a peculiaridade de ouvir os espíritos. As vezes o fenômeno é semelhante a uma voz interior que se faz ouvir no foro íntimo, outras vezes é uma voz exterior, clara e distinta, como se fosse de uma pessoa viva. Esses médiuns podem conversar com os espíritos. Quem tem o hábito dessas conversações, já identifica os espíritos de acordo com a voz.


Quando o médium só ouve espíritos bons, a faculdade é muito agradável. O problema é quando um espírito obsessor, fala-lhe as coisas mais desagradáveis. Neste caso, cumpre usar de todas as forças para se libertar dessa influencia pelos métodos oferecidos em “O livro dos Médiuns” – cap. 23 que trata do tema Obsessão.
Outra definição: Médiuns Audientes: são os médiuns que ouvem os Espíritos. Em algumas vezes é como se escutassem uma voz interna que lhes ressoasse no foro íntimo, doutras vezes, é uma voz exterior, clara, distinta;


Médiuns Falantes: Da mesma forma, é aquele que transmite uma comunicação através da fala do médium. Ou seja, utilizando do seu aparelho fonador. É o que hoje chamamos de Médium de Psicofonia, ou Incorporação. Esse médium, não deve ser confundido com o médium que ouve, e passa as instruções que escuta. O espírito utiliza o órgão do médium que dá acesso a comunicação mediúnica. Com alguns utiliza da mão, outros da fala, outros ainda do ouvido. Esta faculdade possui a sua variação de intensidade. Em alguns, é uma perda da consciência, retornando apenas após do fenômeno. Em outros, é uma inspiração, onde ele participa totalmente acordado, pronunciando as palavras sob a influencia dos espíritos.


Outro item importante dos médiuns falantes é médiuns falantes são aqueles por cujo meio os espíritos falam. O espírito que se quer manifestar liga-se ao perispírito do médium e, atuando-lhe no aparelho vocal, faz com que o médium lhe transmita as palavras.
Temos de distinguir dois gêneros de médiuns falantes: os médiuns falantes conscientes e os médiuns falantes inconscientes.


Os médiuns falantes conscientes sabem o que o espírito manifestante está falando, à medida que as palavras estão sendo ditadas. Depois da comunicação se lembram, ainda que vagamente, do que o espírito falou. Estes médiuns são comuns.


Os médiuns falantes inconscientes não sabem o que o espírito manifestante diz. Durante a comunicação ficam como que adormecidos e, quando o espírito se retira, acordam e de nada se lembram. Os médiuns falantes inconscientes também são chamados sonambúlicos. Quando o médium está em estado sonambúlico, seu espírito se desprende fàcilmente do corpo, dando lugar a que um espírito desencarnado se incorpore.


Há duas espécies de manifestações sonambúlicas : uma em que é um espírito desencarnado que se manifesta, Outra em que é o próprio espírito do médium que entra em contato com os desencarnados e transmite o que eles querem dizer. Os médiuns inconscientes são raros.
Os médiuns falantes desempenham um papel preponderante na difusão do Espiritismo e na do Evangelho,


Outra definição:


Médiuns Falantes ou Psicofônicos: são aqueles que possibilitam aos Espíritos a comunicação oral com outras pessoas encarnadas, utilizando dos recursos vocais do médium. É a variedade de médiuns mais comum em nossos dias;


Frases ditas por médiuns audientes e falantes:


"(...) Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá".
Os médiuns audientes ouvem a voz dos Espíritos. "É, (...) algumas vezes uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo, doutras vezes, é uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, travar conversação com os Espíritos. (...)"


Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons (...). Assim, entretanto, já não é, quando um Espírito mau se lhe agarra, fazendo-lhe ouvir a cada instante as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes".


Os médiuns falantes transmitem a mensagem espírita através da fala. "(...) Neles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. (...)"

Referência Bibliográfica:

Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
Parnaso de Além Tumulo – Poesias Mediúnicas (Diversos Espíritos); Médium: Francisco Candido Xavier – 14a edição, Editado pela Federação Espírita Brasileira – 1932.
O livro dos Médiuns – Allan Kardec – 62a Edição, Editado pela Federação Espírita Brasileira – 1944.

Resumo apresentado por Meliana, no grupo de estudos1 de sábado no CELE (07/08/2010)

MÉDIUNS PNEUMATÓGRAFOS:



Essa designação corresponde aos médiuns que têm aptidão para obter a escrita direta, o que não é dado a todos os médiuns escreventes; essa faculdade é, por enquanto, muito rara, provavelmente, se desenvolve por exercício. Mas, como dissemos, sua utilidade prática se limita à comprovação evidente da intervenção de uma potência oculta nas manifestações. Só a experiência pode revelar se a gente a possui, pode-se pois, experimentar como se pode interrogar um Espírito protetor, através de outras formas de comunicação.

Segundo a maior ou menor potência do médium, obtêm-se apenas traços, sinais, letras, palavras, frases ou até mesmo páginas inteiras. Basta geralmente se colocar uma folha de papel dobrado em algum lugar, ou em lugar designado pelo Espírito, durante dez minutos, um quarto de hora ou pouco mais. A prece e o recolhimento são condições essenciais, eis porque podemos considerar impossível obtê-la em reuniões pouco sérias ou de pessoas que não estejam animadas de sentimentos de simpatia e benevolência.


Pneumografia

Pneumografia é termo utilizado para designar os fenômenos de raspagem, escrita, desenhos, sem causa aparente, sem causa normal, por causa parapsicológica.

O fenômeno tem sido também designado segundo os diferentes contextos com os nomes de: escrita direta, escrita dos espíritos, escrita espiritual, escrita de entes transcendentes, escrita de seres de outras dimensões, pragmametagrafia (escrita metapsíquica em objetos), pneumofotografia (impressão pela luz psíquica), etc.

Já se usam o termo Teleplastia para fenômenos de pneumografia, mas não é um termo adequado. É outro fenômeno. Teleplastia, ectoplasmia, ecto-colo-plasmia fazem referência à formação ectoplasmática de membros ou objetos. Teleplastia é a formação (com ectoplasma) de rostos (por exemplo) e não impressão ou desenhos de rostos.

Utilizaremos o termo pneumografia por considerá-lo mais ortodoxo (pneumo=psíquico; grafia=impressão ou escrita).

Já de muito antigo têm-se notícia da existência desta fenomenologia. Como todos os fenômenos parapsicológicos, tem acontecido em todas as épocas e em todas as culturas.

Na Bíblia (Daniel 5, 25-26) conta-se a aparição de uma mão (teleplastia, ectoplasmia, ecto-colo-plasmia) durante a festa do rei Baltazar. A mão escrevia na parede as palavras "Mane, Tecel, Fares" (pneumografia), as quais traduzidas pelo profeta Daniel, significariam: "Deus contou teu reino e o terminou. Pesado na balança foi encontrado em falta. Teu reino foi dividido e entrgue aos medos e aos persas".

Lousas - O Barão Ludwig von Guldenstubbe efetuou experiências com lousas onde apareciam escritas misteriosas, sem contato algum. O fato teve grande repercussão em 1850.

Posteriormente, pesquisaram o fato metapsíquicos como Charles Richet, William Crookes, Myers, etc. A Metapsíquica, ou período pré-parapsicológico, tinha começado a analisar estes "fenômenos ocultos", já com o intuito de dar-lhes uma explicação rigorosa, fora de toda a mitificação pseudo-científica.

Segundo o meio de produção dos fenômenos pneumográficos, poderíamos dividí-los em duas classes:

1) Aqueles fenômenos ocasionados com "instrumento": uma mão ectoplasmática que pega uma esferográfica, lápis, giz ou qualquer objeto real, mas "misteriosamente" movida pela Telergia.

2) Os casos em que a escrita aparece sem que se tenha visto mão nem objeto nenhum realizando-a: são clássicas as escritas em ardósia.

São conhecidos muitos e fáceis truques para este fenômeno que tanto surpreendeu antigamente. Pode ser trucada com ajuda do pé ou da boca, ou inclusive, pela substituição da ardósia ou folha de papel sobre o qual a escrita deve aparecer. Substituição que todo prestidigitador (mágico) hábil é capaz de realizar de uma maneira absolutamente invisível.

Podem-se empregar também tintas e substâncias químicas apropriadas, não abertamente aplicadas.
Enfim podem-se utilizar acessórios trucados, caixas de fundo duplo, de aparência honesta que podem ser examinadas, envelopes com compartimento secreto, etc, etc, etc. As técnicas para truques não faltam.

A pneumografia alguma vez é real. As mesmas causas que demonstram a telecinesia fazem possível alguma vez a pneumografia. A explicação é a telecinesia por telergia.

Prescindimos do conteúdo da mensagem, da imitação da letra e outros aspectos que escapam ao aspecto puramente pneumográfico aqui visados.

Existe um mecanismo muito conhecido na execução dos fenômenos físicos da Parapsicologia denominado polipsiquismo pelo qual vários assistentes à sessão podem colaborar na prestação de telergia. Se a isto acrescentamos a psicobulia (vontade inconsciente da pessoa que origina o fenômeno), regendo assim os movimentos do lápis, dentro da ardósia teremos explicado os aspectos principais e mais gerais do fenômeno da pneumografia em ardósias.

Nesta Segunda classe de fenômenos, a telecinesia e consequente pneumografia pressupõe uma ecto-colo-plasmia (uma mão ectoplasmática, ou seja, o ectoplasma moldado na forma de uma mão) mais ou menos visível.

Não há dúvidas que certos fatos pneumográficos efetuados por ecto-colo-plasmia, para quem desconhece Parapsicologia, parecem difíceis de acreditar; mas foram testemunhados por alguns dos mais sábios e afamados pesquisadores.

Na realidade não é o caso de demonstrar agora a ecto-colo-plasmia (ectoplasma moldado em forma de membros do corpo: pés, mãos, cabeça) que é indiscutível em Parapsicologia

A conclusão é bem clara: Existe a Telergia. Existe a Telecinesia. Existe a Ecto-colo-plasmia. A Pneumografia não é mais do que uma aplicação dessas faculdades. Uma consequência lógica.



Resumo apresentado por Pedro , no grupo de estudos1 de sábado no CELE (07/08/2010)

Médiuns psicógrafos

Psicografia:
Escrita dos Espíritos pela mão de um médium.


Psicógrafo:
(Do grego psiké, borboleta, alma, e - graphô, escrevo.) - Aquele que faz psicografia; médium escrevente.

Médiuns escreventes ou psicógrafos: os que têm a faculdade de escrever por si mesmos sob a influência dos Espíritos.

De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto é por ele que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade. Pela facilidade que encontram em exprimir-se por esse meio, eles nos revelam seus mais íntimos pensamentos e nos facultam julgá-los e apreciar-lhes o valor.

Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício. Quando uma pessoa psicografa uma mensagem o chakra umeral (dorsal do chakra cardíaco) entra em ação permitindo a conexão com a entidade que transmite a mensagem. Já a canalização consiste também na captação de mensagens sejam elas na forma escrita ou verbal. A diferença entre a canalização e a psicografia é que a primeira não é efetuada de uma forma automática, pois a pessoa recebe a idéia num bloco de pensamento o qual a partir da sua capacidade de entendimento, bagagem cultural, conhecimento, crenças, consciência, etc. será interpretado e transcrito para as demais pessoas.

A maioria acha que é muito fácil, bastando o espírito “incorporar” e pronto, já sai escrevendo. Mas não é bem assim. É preciso um certo conhecimento do corpo humano - por parte do espírito - pra saber "quais botões apertar" pra obter uma psicografia limpa, sem muitas interferências do médium.

Em Missionários da Luz, André Luiz descreve a sua percepção de uma sessão de psicografia. Ele destaca a idéia de que o médium não é um ser passivo, um mero aparelho, mas um espírito, tendo por conseqüência participação ativa no fenômeno da psicografia. Ele descreve minuciosamente as intervenções que os espíritos fazem no sistema nervoso dos médiuns, e, posteriormente, se detém na glândula pineal, descrevendo o seu papel nas comunicações mediúnicas de uma forma geral. Ela, entre outras funções, participaria no processo de "recepção e emissão das ondas peculiares à esfera espiritual", que se intensificaria no exercício mediúnico. Outra descrição curiosa diz respeito à atuação dos espíritos no cérebro do médium. André Luiz descreve o espírito "vasculhando" o centro da memória do psicógrafo, minutos antes da comunicação, em busca de elementos que lhe facilitem a expressão das idéias. Outra descrição curiosa diz respeito à atuação de um terceiro espírito junto às "fibras inibidoras do lobo frontal", o que reduziria a influência do médium no fenômeno. O processo de "apossar-se do braço" do médium para escrever se dá com a atuação no cérebro do mesmo, e não diretamente sobre o braço. No livro citado acima, ele registra uma "mudança de coloração da zona motora do cérebro" durante a comunicação através da psicografia, causada, portanto, em decorrência da atuação do espírito.

Num outro livro (André Luiz, de 1977), o autor espiritual retoma a discussão dos mecanismos da psicografia, deixando ainda mais clara esta sua afirmação:

"Com base no magnetismo enobrecido, os instrutores desencarnados influenciam os mecanismos do cérebro para a formação de certos fenômenos, como acontece aos musicistas que tangem as cordas do piano na produção da melodia. E assim como as ondas sonoras se associam na música, as ondas mentais se conjugam na expressão". Ou seja, atuam por meio da vibração. Afinal de contas, TUDO é vibração.

Como vêem, o processo é complexo e sujeito a falhas e influências indesejadas do médium. Por isso que Kardec afirma "A mediunidade é uma flor delicada que tem necessidade, para se expandir, de precauções atentas e de cuidados permanentes". Até mesmo Chico Xavier não escapou de errar, quando já estava muito doente e com mais de 80 anos. Certa vez ele psicografou uma carta de um filho desencarnado para a mãe. Ela acreditou em cada palavra, mas, com delicadeza, apontou que três nomes estavam errados. Chico não se fez de rogado: pegou a borracha e apagou o errado, dizendo: "A borracha é como a reencarnação. Apaga o que está errado para escrever o certo".


Parte da entrevista com o Francisco Cândido Xavier coberta pelo repórter Ivandel Godinho Jr. da revista O semanário "Fatos e Fotos"'.-.GENTE, do Grupo Bloch:

1 - Como se processa o fenômeno da psicografia? Tecnicamente, não sei definir. Sei apenas que os espíritos amigos tomam o meu braço e escrevem o que desejam. Há muitos anos perguntei a Emmanuel sobre o assunto. Ele respondeu: "Se a laranjeira quisesse estudar pormenorizadamente o que se passa com ela, na produção das laranjas, com certeza não produziria fruto algum. Não quero dizer com isto que o estudo de classificação em mediunidade deva ser desprezado. Desejo apenas confirmar que, como as laranjeiras contam com pomicultores e botânicos que as definem, assim também os médiuns contam com autoridades humanas que os analisam pelo tipo de serviço que oferecem.

2 – Mas o que acontece com você, durante o momento em que os espíritos estão usando o seu braço?
R. Observo que minhas faculdades se acentuam em todos os seus aspectos. E realmente sinto-me na companhia dos amigos desencarnados, quando eles permitem, com tanta espontaneidade, como se fossem pessoas deste mundo, que nós vemos e ouvimos naturalmente.

3 - Você tem consciência do que está sendo escrito?
R. Normalmente, não tenho conhecimento do assunto. O teor da mensagem, só conheço depois de recebida. Mas depende muito da reunião.

Quais são os perigos desta manifestação de mediunidade?


Sabemos que a mediunidade independe do grau evolutivo, vibracional, moral, espiritual e cultural, etc. da pessoa. E é aí que mora o perigo!

Em outras palavras o nível energético e evolutivo da entidade a ser conectada seja para transcrever uma mensagem falada ou escrita vai ser diretamente proporcional à freqüência vibracional do médium. Ou seja, se a pessoa não possui certa higiene mental e emocional somada a uma espiritualidade apurada jamais poderá se conectar e transcrever mensagens de seres que respondam a padrões de Mentores, Mestres, Guias, etc. Por isso antes de aceitar uma mensagem como verdadeiramente vinda de uma entidade desse nível, devemos conhecer muito bem a postura como ser humano do médium ou canal, sua integridade e comportamento perante a sociedade e família. Quando não temos oportunidade de conhecer essa pessoa e chegam a nos apenas as mensagens devemos usar nosso discernimento, lógica e intuição para poder determinar a veracidade das mesmas. Mesmo nos casos da canalização onde a pessoa consegue a captação das mensagens se valendo apenas da conexão mental, o canal deve possuir profundo discernimento e conhecimento de sim mesmo para poder reconhecer uma verdadeira mensagem das interferências mentais e idéias do mesmo ou de entidades com poder psíquico que costumam confundir muitos canais.

No meio espírita cotidianamente nos diferentes centros são recebidas mensagens psicografadas de pessoas desencarnadas procurando o conforto e alivio dos familiares pela perda do ente amado. Mas como saber se essas mensagens são verdadeiras? Usando a lógica, o bom senso, o discernimento, o conhecimento e a intuição. Sentindo em nossos corações o grau energético e espiritual da mesma. Para os que recebem mensagens de entes queridos já falecidos devem sentir se as mesmas correspondem aos valores morais e emocionais dessas pessoas. Não se deve tomar qualquer mensagem como verdadeira, primeiro deve se estudar o que está escrito, se tem sentido ou transmite alguma coisa. Sejam canais e médiuns de vocês mesmos.


Resumo apresentado por Evelise , no grupo de estudos1 de sábado no CELE (31/07/2010)

Cap. XIV Médiuns

Neste capítulo nós optamos por fazer apresentações de trabalhos sobre os diversos tipos de Médiuns ou Mediunidades.



Médiuns de Doutrinação Mediúnica.

• Doutrinação: Instrução em qualquer doutrina, ensinamentos.
• Doutrinador: Aquele que doutrina. Num grupo mediúnico, chama – se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados, necessitados de ajuda e esclarecimentos.

A doutrinação é a técnica usada para conduzir para ajuda os espíritos já desencarnados, inclusive os obsessores, através do esclarecimento. Essa técnica foi criada e desenvolvida por Allan Kardec para substituir as práticas arbitrárias do exorcismo.

Nos tempos atuais a doutrinação não é feita somente para espíritos obsessores, mas sim também para espíritos sofredores, ignorantes e viciosos na prática do mal e a todos aqueles que buscam respostas para sua nova forma de viver. Para aqueles que partiram e não sabem, para aqueles que buscam esclarecimentos, para aqueles que suplicam pelo perdão e necessitam falar de sua culpa para poderem partir em busca de paz e luz.

Conduta do Doutrinador:
O doutrinador deve sempre estar atento á todos que estão na mesa de trabalho, ele não deve se ater ao médium com maior facilidade de incorporação, mas sim deve passar por todos aqueles que estão num trabalho. Pois aquele médium que nunca incorporou, pode vir a incorporou, pode vir a incorporar um dia, então nunca devemos dizer “ este não incorpora”.

Nunca, jamais, um doutrinador deve se julgar capaz de doutrinar sozinho, pois se tornará orgulhoso, inútil, e até mesmo prejudicial. Sua eficiência depende sempre de sua humildade, que permitirá a ele compreender a necessidade de ser auxiliado pelos espíritos bons, nossos queridos amigos e protetores, que dentro das necessidades do momento transmitem ao doutrinador através da intuição o que aquele espírito ali incorporado precisa ouvir ou saber, mostrando ao doutrinador o caminho que ele deve seguir para o sucesso de seu trabalho.

O doutrinador que não compreender esse princípio precisa ser doutrinado e esclarecido, para tirar de seu espírito a vaidade e a pretensão. Só pode ser doutrinador quem tiver amor, humildade e fé no seu coração.

O doutrinador nunca deve esquecer que o espírito que comparece em busca de soluções para seus problemas e aflições, não está em condições, logo de início, de receber instruções acerca da Doutrina Espírita. Ele não está disposto a ouvir uma pregação, nem predisposto ao aprendizado, ele está desesperado em busca de explicações e resultados. Muitos espíritos quando chegam em uma sessão de doutrinação já chegam com o conhecimento sobre a doutrina Espírita, alguns são inteligentes, bem preparados, experimentados em diferentes técnicas de debate, tendo um linguajar sem igual. Porém isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio, de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica.
O confronto aqui não é de inteligências, nem de culturas, é de corações, de sentimentos.

A doutrinação, não é um amontoado de palavras difíceis ou decoradas. A doutrinação é simples, é puro amor, compreensão e harmonia.



Resumo realizado por Tatiane Madruga, , no grupo de estudos1 de sábado no CELE (24/07/2010)

LIVRO DOS MÉDIUNS- Cap. XIII




Psicografia indireta: cestas e pranchetas.


Já dissemos que uma pessoa, dotada de aptidão especial, pode imprimir movimento de rotação a uma mesa, ou a outro objeto qualquer. Tomemos, em vez de uma mesa, uma cestinha de quinze a vinte centímetros de diâmetro (de madeira ou de vime, a substância pouco importa). Se fizermos passar pelo fundo dessa cesta um lápis e o prendermos bem, com a ponta de fora e para baixo; se mantivermos o aparelho assim formado em equilíbrio sobre a ponta do lápis, apoiado este sobre uma folha de papel, e apoiarmos os dedos nas bordas da cesta, ela se porá em movimento; mas, em vez de girar, fará que o lápis percorra, em diversos sentidos, o papel, traçando ou riscos sem significação, ou letras.
Continua a mover-se circularmente, de sorte que a linha escrita forma uma espiral, tornando necessário voltear muitas vezes o papel para se ler o que está grafado. Nem sempre é muito legível a escrita assim feita, por não ficarem separadas as palavras. Entretanto, o médium, por uma espécie de intuição, facilmente a decifra. Por economia, o papel e o lápis comum podem ser substituídos por uma lousa com o respectivo lápis. Designaremos este gênero de cesta pelo nome de cesta-pião. As vezes, em lugar da cesta, emprega-se um papelão muito semelhante às caixas de pastilhas, formando-lhe o lápis o eixo, como no brinquedo chamado carrapeta.
Muitos outros dispositivos se têm imaginado para a obtenção do mesmo resultado. O mais cômodo é o a que chamaremos cesta de bico e que consiste em adaptar-se à cesta uma haste inclinada, de madeira, prolongando-se dez a quinze centímetros para o lado de fora, na posição do mastro de gurupés, numa embarcação. Por um buraco aberto na extremidade dessa haste, ou bico, passa-se um lápis bastante comprido para que sua ponta assente no papel. Pondo o médium os dedos na borda da cesta, o aparelho todo se agita e o lápis escreve, como no caso anterior, com a diferença, porém, de que, em geral, a escrita é mais legível, com as palavras separadas e as linhas sucedendo-se paralelas, como na escrita comum, por poder o médium levar facilmente o lápis de uma linha a outra. Obtêm-se assim dissertações de muitas páginas, tão rapidamente como se se escrevesse com a mão.
Em vez de cesta, algumas pessoas se servem de uma espécie de mesa pequenina, feita de propósito, tendo de doze a quinze centímetros de comprimento, por cinco a seis de altura, e três pés a um dos quais se adapta um lápis. Os dois outros são arredondados, ou munidos de uma bola de marfim, para deslizar mais facilmente sobre o papel. Outros se utilizam apenas de uma prancheta de quinze a vinte centímetros quadrados, triangular, oblonga, ou oval. Num dos bordos, há um furo oblíquo para introduzir-se o lápis. Colocada em posição de escrever, ela fica inclinada e se apóia por um dos lados no papel. Algumas trazem desse lado rodízios para lhe facilitarem o movimento. E de ver-se, em suma, que todos esses dispositivos nada têm de absoluto. O melhor é o que for mais cômodo.

Com qualquer desses aparelhos, quase sempre é preciso que os operadores sejam dois; mas, não é necessário que ambos sejam dotados de faculdades mediúnicas. Um serve unicamente para manter o equilíbrio e poupar ao médium excesso de fadiga.

Psicografia direta ou manual
Chamamos psicografia indireta à escrita assim obtida, em contraposição à psicografia direta ou manual, obtida pelo próprio médium.
O Espírito que se comunica atua sobre o médium que, debaixo dessa influência, move maquinalmente o braço e a mão para escrever, sem ter (é pelo menos o caso mais comum) a menor consciência do que escreve; a mão atua sobre a cesta e a cesta sobre o lápis. Assim, não é a cesta que se torna inteligente; ela não passa de um instrumento manejado por uma inteligência; não passa, realmente, de uma lapiseira, de um apêndice da mão, de um intermediário, entre a mão e o lápis. Suprima-se esse intermediário, coloque-se o lápis na mão e o resultado será o mesmo, com um mecanismo muito mais simples, pois que o médium escreve como o faz nas condições ordinárias. De sorte que toda pessoa que escreve com o concurso de uma cesta, prancheta, ou qualquer outro objeto, pode escrever diretamente.
De todos os meios de comunicação, a escrita manual, que alguns denominam escrita involuntária, é, sem contestação, a mais simples, a mais fácil e a mais cômoda, porque nenhum preparativo exige e se presta, como a escrita corrente, aos maiores desenvolvimentos. Dela tornaremos a falar, quando tratarmos dos médiuns.

Resumo realizado por Tatiane Madruga, , no grupo de estudos1 de sábado no CELE (17/07/2010)