Escrito por Tadeu José Laurenti
Durante muitos séculos o homem vem
tentando comprovar a existência da alma.
Muitos séculos atrás se acreditava que a
alma se encontrava dentro do corpo. Pesquisadores passaram a abrir cadáveres
buscando, sem sucesso, encontrar a alma. Como não a encontraram, disseram que no
corpo morto não haveria alma, pois tinha ido embora. Passaram a abrir corpos de
pessoas vivas, geralmente prisioneiros de guerra e escravos.
Se não podemos ver a alma, como podemos
comprovar sua existência e saber para onde ela irá após o fenômeno chamado de
morte?
A doutrina foi codificada por Allan
Kardec, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, em
Paris, França. Este foi o pseudônimo assumido pelo conhecido educador Hippolite
Leon Denizard Rivail, que se dedicava ao estudo dos fenômenos espíritas sob a
ótica científica.
Foi o próprio Kardec quem definiu o
Espiritismo como sendo a ciência que trata da natureza, origem e destino dos
espíritos, bem como suas relações com o mundo material.
A codificação espírita, assentada em
tríplice aspecto – científico, filosófico e religioso – está estabelecida em
princípios fundamentais que constituem o seu alicerce e lhe dão
autoridade.
Embora não haja um número específico dos
princípios básicos da doutrina espírita (uns falam em 5 pontos, outros em 7 e
outros ainda falam em10) citaremos aqueles que, em nosso entender, são os mais
importantes.
Fundamentos
espíritas
Existência de Deus: É o
princípio e o “fim” de tudo. É o criador, causa primária de todas as coisas.
Deus é a Suprema Perfeição, com todos os atributos que possamos imaginar e ainda
muito mais.
Imortalidade do espírito: Antes
de sermos seres humanos, filhos de nossos pais, somos, na verdade, filhos de
Deus. O espírito é o princípio inteligente, criado por Deus, simples e
ignorante, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios
esforços. Como espíritos, já existíamos antes de nascer e continuaremos a
existir depois da nossa morte física. A morte não existe e isto é demonstrado
pelas manifestações mediúnicas, fenômenos de quase-morte, terapia de vidas
passadas, lembranças de encarnações anteriores, manifestações extracorpóreas,
etc.
Reencarnação: É o mecanismo
natural de evolução dos espíritos. O espírito é quem decide e cria seu próprio
destino. Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, que é a capacidade de
escolher; assim, ele tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir,
aperfeiçoar-se...tornar-se cada vez mais consciente de sua realidade
transcendental. Isto requer um aprendizado que o espírito só consegue encarnando
no mundo e reencarnando quantas vezes forem necessárias. O progresso adquirido
pelo espírito através das múltiplas experiências de vida, nas inúmeras
existências, não é tão somente intelectual, mas também, o progresso moral, que
vai aproximá-lo cada vez mais de Deus. Os espíritas não creem na metempsicose,
ou seja, a volta do espírito no corpo de animal.
Comunicabilidade entre os
espíritos: O Espiritismo demonstra a possibilidade de comunicação entre os
espíritos encarnados (vivos) e os espíritos desencarnados (mortos) através da
mediunidade. Os espíritos agem sobre nós, os encarnados, mas essa ação é quase
restrita ao pensamento, porque eles não conseguem agir diretamente sobre a
matéria. Para isso, eles precisam de pessoas que lhes ofereçam recursos
especiais; essas pessoas são chamadas de médiuns. Pelo médium, o espírito
desencarnado pode se comunicar, se puder e quiser. Essa comunicação depende do
tipo de mediunidade ou faculdade do médium, que pode ser feita pela fala
(psicofonia), pela escrita (psicografia), por batidas (tiptologia),
etc.
Lei da causa e efeito: A lei da
causa e efeito é o mecanismo de retribuição ética universal a todos os
espíritos, segundo a qual, nossa condição atual é resultado de nossos atos
passados. A escolha nos pertence, logo, as consequências boas ou más são
resultados de nossas próprias decisões. Se agora estamos sofrendo, podemos
concluir que a causa do sofrimento advém das nossas atitudes, desta ou de outra
encarnação. Nós construímos a nossa evolução e escolhemos o caminho a percorrer.
Pluralidade dos mundos
habitados: A Terra não é o único planeta com vida inteligente no universo.
A matéria existe em variados graus, desde a mais até a menos densa e isso indica
a possibilidade de mundos em variados graus de densidade, e que neles podem
existir seres inteligentes com corpos mais ou menos sutis. A doutrina espírita
ainda classifica os mundos segundo seu grau de evolução, como por exemplo,
mundos primitivos, mundo de expiação e provas, mundos de regeneração, etc. A
Terra ocupa o segundo grau na evolução, como mundo de expiação e provas,
destinada a espíritos ainda iniciantes no uso da razão e do
sentimento.
Evolução da
doutrina
São estes princípios que constituem os
alicerces da codificação espírita. Sobre estas bases se assentam o Espiritismo.
Ele não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-los e a
submeter seus ensinamentos ao crivo da razão. Cada espírita é livre para
concordar ou não com estes conceitos. Kardec, inclusive, nos adverte para que,
caso a Ciência comprove que alguns pontos doutrinários estejam equivocados,
fiquemos com a Ciência. Com certeza não podemos alterar a codificação
kardequiana, mas, o Espiritismo, acima de tudo, é uma doutrina evolucionista e
não pode ficar estagnada em dogmas.
Artigo publicado na Revista Cristã de
Espiritismo, edição 100.
Ao reproduzir o
texto, favor citar o autor e a fonte.

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