MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS
Estudo 29: itens 82 a 86 - Ruídos, Barulhos e Perturbações
Os fenômenos tratados no capítulo IV são provocados. Sucede, porém, às vezes, produzirem-se espontaneamente, sem intervenção da vontade, até mesmo contra a vontade, pois que frequentemente se tornam muito importunos.
No capítulo que estamos estudando, Allan Kardec explica que tais fenômenos, cuja manifestação se poderia considerar como de prática espírita natural, são muito importantes, porque excluem as suspeitas de conivência. Recomenda-se que sejam registrados todos os desse gênero, que lhes cheguem ao conhecimento, mas, sobretudo, que lhes verifiquem cuidadosamente a realidade, através de minucioso estudo das circunstâncias, a fim de adquirirem a certeza de que não são joguetes de uma ilusão, ou de uma mistificação.
Ruídos, barulhos e perturbações.
De todas as manifestações espíritas, as mais simples e mais frequentes são os ruídos e as pancadas. Neste caso, principalmente, é que se deve temer a ilusão, pois uma infinidade de causas naturais pode produzi-los: o vento que assobia, algo que movemos sem perceber, um animal escondido, um inseto, etc., até mesmo, brincadeiras de mau gosto.
Os ruídos espíritas apresentam um caráter especial, revelando intensidade e timbre muito variado, que os tornam facilmente reconhecíveis e não permitem sejam confundidos. São pancadas secas, ora surdas, fracas e leves, ora claras, distintas, às vezes retumbantes, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mecânica.
Afirmou Kardec, que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao do homem. Também disse que os Espíritos elevados não se ocupam com esta ordem de manifestações; que se servem dos Espíritos mais imperfeitos para produzi-las. Atingida a finalidade acima indicada, cessa a manifestação. Acrescenta exemplos que tornarão a questão mais compreensível.
Dado o aviso, explicada a sua razão e estabelecidas as relações regulares, as pancadas se tornaram inúteis. Não se toca o tambor para acordar os soldados, quando eles já se levantaram".
Concluindo nossos estudos sobre os itens indicados, relembramos que são comuns os relatos dessas manifestações de Espíritos que se comunicam através de pancadas, ruídos e perturbações, objetivando chamar a atenção para alguma necessidade que apresentam, e que a melhor maneira de atende-los, é através da prece, e também buscando a orientação de uma casa espírita, onde todos os envolvidos podem ser adequadamente esclarecidos e atendidos.
Lançamento de objetos
As manifestações espontâneas nem sempre se limitam a ruídos e batidas. Degeneram, às vezes, em verdadeira barulheira e em perturbações.
Toda essa desordem é muitas vezes real, mas algumas vezes é apenas aparente. Ouve-se gritarias num cômodo ao lado, barulho de louça que cai e se quebra. Corre-se para ver e encontra-se tudo calmo e em ordem. Mal sai do local, recomeça o tumulto.
O meio mais seguro de prevenir os inconvenientes que possam acarretar, pois não se pode impedi-los, consiste em tornar conhecida a verdade. As coisas mais simples se tornam assustadoras quando ignoramos as causas. Ninguém mais terá medo dos Espíritos, quando todos estiverem familiarizados com eles.
Muitos que vivem essas experiências, consideradas alucinações, são submetidos ao tratamento dos alienados, o que pode leva-las realmente à loucura. Os casos de obsessão, de possessão e de simples perturbação por Espíritos, quando tratados como loucura, geralmente se agravam, porém, quando recebem tratamento espírita, são passíveis de cura.
São antes levianos do que maus. Riem dos sustos que causam e do trabalho que dão para se descobrir a causa do tumulto. Muitas vezes apegam-se a uma pessoa e se divertem a incomodá-la por toda parte. De outras vezes se apegam a um lugar por simples capricho. Algumas vezes, também, se trata de uma vingança. Em alguns casos, a intenção é mais louvável: procuram chamar a atenção e estabelecer comunicação, seja para transmitir um aviso útil, seja para fazer um pedido. Muitos pedem preces; outros que solicitam o cumprimento, em nome deles, de votos que não puderam realizar, e outros quererem, para o seu próprio sossego, reparar uma maldade praticada em vida. Em geral, pode ser um erro amedrontar-se com sua presença, que pode ser importuna, mas não perigosa.
Embora produzidos por Espíritos bastante imperfeitos, esses fenômenos são frequentemente provocados por Espíritos de ordem mais elevada, com o objetivo de demonstrar a existência dos seres incorpóreos, dotados de poderes superiores aos dos encarnados. A repercussão que alcançam e o medo que provocam, despertam a atenção para esse assunto e acabam por abrir os olhos dos mais incrédulos.
O desconhecimento do assunto e a negação sistemática da existência dos espíritos são responsáveis por gerar superstições, criar neuroses e perturbações mentais, agravando o preconceito cultural contra a realidade do Espírito. A divulgação da Doutrina Espírita é a única maneira possível de evitar todos esses inconvenientes, familiarizando os homens com esse aspecto inegável das leis divinas: o mundo espiritual existe e os Espíritos estão entre nós.
Causa do lançamento de objetos
Os ruídos espíritas apresentam um caráter especial, revelando intensidade e timbre muito variado, que os tornam facilmente reconhecíveis e não permitem sejam confundidos. São pancadas secas, ora surdas, fracas e leves, ora claras, distintas, às vezes retumbantes, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mecânica.
Afirmou Kardec, que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao do homem. Também disse que os Espíritos elevados não se ocupam com esta ordem de manifestações; que se servem dos Espíritos mais imperfeitos para produzi-las. Atingida a finalidade acima indicada, cessa a manifestação. Acrescenta exemplos que tornarão a questão mais compreensível.
Dado o aviso, explicada a sua razão e estabelecidas as relações regulares, as pancadas se tornaram inúteis. Não se toca o tambor para acordar os soldados, quando eles já se levantaram".
Concluindo nossos estudos sobre os itens indicados, relembramos que são comuns os relatos dessas manifestações de Espíritos que se comunicam através de pancadas, ruídos e perturbações, objetivando chamar a atenção para alguma necessidade que apresentam, e que a melhor maneira de atende-los, é através da prece, e também buscando a orientação de uma casa espírita, onde todos os envolvidos podem ser adequadamente esclarecidos e atendidos.
Lançamento de objetos
As manifestações espontâneas nem sempre se limitam a ruídos e batidas. Degeneram, às vezes, em verdadeira barulheira e em perturbações.
Toda essa desordem é muitas vezes real, mas algumas vezes é apenas aparente. Ouve-se gritarias num cômodo ao lado, barulho de louça que cai e se quebra. Corre-se para ver e encontra-se tudo calmo e em ordem. Mal sai do local, recomeça o tumulto.
O meio mais seguro de prevenir os inconvenientes que possam acarretar, pois não se pode impedi-los, consiste em tornar conhecida a verdade. As coisas mais simples se tornam assustadoras quando ignoramos as causas. Ninguém mais terá medo dos Espíritos, quando todos estiverem familiarizados com eles.
Muitos que vivem essas experiências, consideradas alucinações, são submetidos ao tratamento dos alienados, o que pode leva-las realmente à loucura. Os casos de obsessão, de possessão e de simples perturbação por Espíritos, quando tratados como loucura, geralmente se agravam, porém, quando recebem tratamento espírita, são passíveis de cura.
São antes levianos do que maus. Riem dos sustos que causam e do trabalho que dão para se descobrir a causa do tumulto. Muitas vezes apegam-se a uma pessoa e se divertem a incomodá-la por toda parte. De outras vezes se apegam a um lugar por simples capricho. Algumas vezes, também, se trata de uma vingança. Em alguns casos, a intenção é mais louvável: procuram chamar a atenção e estabelecer comunicação, seja para transmitir um aviso útil, seja para fazer um pedido. Muitos pedem preces; outros que solicitam o cumprimento, em nome deles, de votos que não puderam realizar, e outros quererem, para o seu próprio sossego, reparar uma maldade praticada em vida. Em geral, pode ser um erro amedrontar-se com sua presença, que pode ser importuna, mas não perigosa.
Embora produzidos por Espíritos bastante imperfeitos, esses fenômenos são frequentemente provocados por Espíritos de ordem mais elevada, com o objetivo de demonstrar a existência dos seres incorpóreos, dotados de poderes superiores aos dos encarnados. A repercussão que alcançam e o medo que provocam, despertam a atenção para esse assunto e acabam por abrir os olhos dos mais incrédulos.
O desconhecimento do assunto e a negação sistemática da existência dos espíritos são responsáveis por gerar superstições, criar neuroses e perturbações mentais, agravando o preconceito cultural contra a realidade do Espírito. A divulgação da Doutrina Espírita é a única maneira possível de evitar todos esses inconvenientes, familiarizando os homens com esse aspecto inegável das leis divinas: o mundo espiritual existe e os Espíritos estão entre nós.
Causa do lançamento de objetos
Podemos considerar que os fenômenos de movimentação dos corpos inertes, os ruídos, as pancadas, o deslocamento de objetos tem uma mesma causa; são produzidos pela mesma força que levanta objetos. São produzidos em ambientes onde há a presença de médiuns, os quais muitas vezes ignoram suas faculdades e que por isso são chamados de médiuns naturais.
O Espírito São Luis, questionado por Allan kardec sobre fenômeno ocorrido em junho de 1860 na rua Des Noyers, em Paris, em que um Espírito se divertia brincando com os moradores do local, esclarece que os fatos foram verdadeiros apesar dos exageros de imaginação do povo. Os detalhes se encontram na Revista Espírita de agosto de 1860.
A presença desse médium no local é o mais comum, porque o Espírito pode buscar os recursos necessários em outro local. Allan Kardec pergunta se há afinidade moral entre o médium e o Espírito, e São Luis afirma que não, precisamente, e sim, há uma aptidão que decorre de afinidade fluídica, mas há que se considerar uma tendência material que seria preferível não possuir, pois quanto mais elevada moralmente, mais a pessoa atrai os Bons Espíritos, que necessariamente afastam os maus.
Considerando que a finalidade dessas manifestações é chamar a atenção para a existência do Espírito, sobre a realidade do mundo espiritual, como entender, pergunta Kardec, que alguns incrédulos que vivenciaram essas experiências, não as consideraram concludentes? Não dependeria dos Espíritos dar-lhes alguma prova sensível?
Novamente o Espírito São Luis afirma que, "os ateus e os materialistas não testemunham a cada instante os efeitos do poder de Deus e do pensamento? Mas isso não os impede de negar a Deus e a alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos? Os fariseus que lhe diziam: "Mestre, fazei-nos ver algum prodígio", não se pareciam com esses que hoje pedem para ver as manifestações? Se não se deixam convencer pelas maravilhas da Criação, não seriam mais tocados pelo aparecimento de um Espírito, mesmo da maneira mais evidente, pois o seu orgulho os transforma em animais empacados. Não lhes faltariam ocasiões de ver, se eles a procurassem de boa fé. É por isso que Deus não julga conveniente fazer por eles mais do que não faz nem mesmo para aqueles que sinceramente buscam instruir-se. Essa incredulidade não impedirá que se cumpra a vontade de Deus, assim como não impediu a expansão da Doutrina. Felizes os que crêem sem ter visto, disse Jesus, porque eles não duvidam do poder de Deus".
O Fenômeno de Transporte
O Espírito São Luis, questionado por Allan kardec sobre fenômeno ocorrido em junho de 1860 na rua Des Noyers, em Paris, em que um Espírito se divertia brincando com os moradores do local, esclarece que os fatos foram verdadeiros apesar dos exageros de imaginação do povo. Os detalhes se encontram na Revista Espírita de agosto de 1860.
A presença desse médium no local é o mais comum, porque o Espírito pode buscar os recursos necessários em outro local. Allan Kardec pergunta se há afinidade moral entre o médium e o Espírito, e São Luis afirma que não, precisamente, e sim, há uma aptidão que decorre de afinidade fluídica, mas há que se considerar uma tendência material que seria preferível não possuir, pois quanto mais elevada moralmente, mais a pessoa atrai os Bons Espíritos, que necessariamente afastam os maus.
Considerando que a finalidade dessas manifestações é chamar a atenção para a existência do Espírito, sobre a realidade do mundo espiritual, como entender, pergunta Kardec, que alguns incrédulos que vivenciaram essas experiências, não as consideraram concludentes? Não dependeria dos Espíritos dar-lhes alguma prova sensível?
Novamente o Espírito São Luis afirma que, "os ateus e os materialistas não testemunham a cada instante os efeitos do poder de Deus e do pensamento? Mas isso não os impede de negar a Deus e a alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos? Os fariseus que lhe diziam: "Mestre, fazei-nos ver algum prodígio", não se pareciam com esses que hoje pedem para ver as manifestações? Se não se deixam convencer pelas maravilhas da Criação, não seriam mais tocados pelo aparecimento de um Espírito, mesmo da maneira mais evidente, pois o seu orgulho os transforma em animais empacados. Não lhes faltariam ocasiões de ver, se eles a procurassem de boa fé. É por isso que Deus não julga conveniente fazer por eles mais do que não faz nem mesmo para aqueles que sinceramente buscam instruir-se. Essa incredulidade não impedirá que se cumpra a vontade de Deus, assim como não impediu a expansão da Doutrina. Felizes os que crêem sem ter visto, disse Jesus, porque eles não duvidam do poder de Deus".
O Fenômeno de Transporte
Analisando estes fenômenos, Allan Kardec identificou neles a maior possibilidade de imitação e necessidade de prevenção contra o embuste. Sabe-se até onde pode ir a arte da prestidigitação, em se tratando de experiências deste gênero. A melhor de todas as garantias se encontra no caráter, na honestidade notória, no absoluto desinteresse das pessoas que obtêm tais efeitos.
A teoria do fenômeno dos transportes e das manifestações físicas em geral se acha resumida, de maneira notável, na seguinte dissertação feita por um Espírito, cujas comunicações todas trazem o cunho incontestável de profundeza e lógica.
Com muitas delas deparará o leitor no curso desta obra. Ele se dá a conhecer pelo nome de Erasto, discípulo de São Paulo, e como protetor do médium que lhe serviu de instrumento: "Quem deseja obter fenômeno desta ordem precisa dispor de médiuns a que chamarei de sensitivos, isto é, dotados, no mais alto grau de faculdades mediúnicas de expansão e de penetrabilidade. Porque o sistema nervoso desses médiuns, facilmente excitável, por meio de certas vibrações, projeta abundantemente, em torno de si, o fluido animalizado que lhes é próprio.
Mas, da produção de tais fenômenos à obtenção dos de transporte há todo um abismo, porque, neste caso, não só o trabalho do Espírito é mais complexo, mais difícil, como, sobretudo, ele não pode operar, senão por meio de um único aparelho mediúnico, isto é, muitos médiuns não podem concorrer simultaneamente para a produção do mesmo fenômeno. Acontece mesmo, ao contrário, que a presença de algumas pessoas antipáticas ao Espírito que opera, obstam radicalmente sua ação. A esses motivos que, como se vê, são importantes, acrescentemos que os transportes exigem sempre maior concentração e ao mesmo tempo maior difusão de certos fluidos, que só podem ser obtidos com médiuns muito bem dotados, médiuns, numa palavra, cujo aparelho eletro-medianímico seja bem condicionado.
É necessária que exista entre o Espírito e o médium certa afinidade, certa analogia, numa palavra, uma determinada semelhança capaz de permitir que a parte expansível do fluido perispirítico do encarnado se misture, se una, se combine com o do Espírito que deseja fazer o transporte.
Não me é permitido, por enquanto, desvendar-vos as leis particulares que regem os gases e os fluidos que vos envolvem. Mas, antes que alguns anos tenham decorrido, antes que uma existência de homem seja concluída, a explicação dessas leis e desses fenômenos vos será revelada e vereis surgir e desenvolver-se uma variedade nova de médiuns, que agirão num estado cataléptico particular ao serem mediunizados.
Resumindo: os fenômenos de tangibilidade são frequentes, mas os de transporte são muito raros, porque as condições em que se produzem bastante difíceis. Em consequência, nenhum médium pode dizer: Em tal hora ou em tal momento, obterei um transporte, porque muitas vezes o próprio Espírito se encontra impedido de fazê-lo. Devo acrescentar que esses fenômenos são duplamente difíceis em público, porque quase sempre, entre este, se encontram elementos energicamente refratários, que paralisam os esforços do Espírito e, com mais forte razão, a ação do médium.
Particularidades do Fenômeno de Transporte
Estudando o item 99, verificamos que Allan Kardec interrogou o Espírito que produzia o fenômeno em estudo, porém identificou sua falta de conhecimento sobre o assunto, o que o levou a perguntar ao Espírito Erasto, que, de forma judiciosa, esclareceu conforme transcrevemos:
1a - Dize-nos por que os transportes que acabaste de executar só se produzem estando o médium em estado sonambúlico?
"Por causa da natureza do médium. Os fatos que produzo, quando ele (o médium) dorme, poderia produzi-los igualmente com outro médium em estado de vigília".
2a - Por que demorais tanto a trazer objetos e por que é que avivas a cobiça do médium, excitando-lhe o desejo de obter o objeto prometido?
"Necessito de tempo para preparar os fluidos que servem para o transporte. Quanto à excitação, essa só tem por fim, as mais das vezes, divertir as pessoas presentes e o sonâmbulo".
NOTA DE ERASTO. O Espírito que responde não sabe mais do que isso; não percebe o motivo dessa cobiça, que ele instintivamente aguça, sem lhe compreender o efeito. Julga proporcionar um divertimento, enquanto que, na realidade, provoca, sem o suspeitar, uma emissão maior de fluido. É uma conseqüência da dificuldade que o fenômeno apresenta, dificuldade sempre maior quando ele não é espontâneo, sobretudo com certos médiuns.
3a - A produção do fenômeno depende da natureza especial do médium e poderia produzir-se por outros médiuns com mais facilidade e presteza?
"A produção depende da natureza do médium e o fenômeno não se pode produzir, senão por meio de naturezas correspondentes. Quanto à presteza, o hábito que adquirimos, comunicando-nos freqüentemente com o mesmo médium, nos é de grande vantagem".
4a - As pessoas presentes influem alguma coisa no fenômeno?
"Quando há da parte delas incredulidade, oposição, muito nos podem embaraçar. Preferimos apresentar nossas provas aos crentes e a pessoas versadas no Espiritismo. Não quero, porém, dizer com isso que a má-vontade consiga paralisar-nos inteiramente".
5a - Onde foste buscar as flores e os confeitos que trouxeste para aqui?
"As flores, nos jardins, onde elas me agradam".
A teoria do fenômeno dos transportes e das manifestações físicas em geral se acha resumida, de maneira notável, na seguinte dissertação feita por um Espírito, cujas comunicações todas trazem o cunho incontestável de profundeza e lógica.
Com muitas delas deparará o leitor no curso desta obra. Ele se dá a conhecer pelo nome de Erasto, discípulo de São Paulo, e como protetor do médium que lhe serviu de instrumento: "Quem deseja obter fenômeno desta ordem precisa dispor de médiuns a que chamarei de sensitivos, isto é, dotados, no mais alto grau de faculdades mediúnicas de expansão e de penetrabilidade. Porque o sistema nervoso desses médiuns, facilmente excitável, por meio de certas vibrações, projeta abundantemente, em torno de si, o fluido animalizado que lhes é próprio.
Mas, da produção de tais fenômenos à obtenção dos de transporte há todo um abismo, porque, neste caso, não só o trabalho do Espírito é mais complexo, mais difícil, como, sobretudo, ele não pode operar, senão por meio de um único aparelho mediúnico, isto é, muitos médiuns não podem concorrer simultaneamente para a produção do mesmo fenômeno. Acontece mesmo, ao contrário, que a presença de algumas pessoas antipáticas ao Espírito que opera, obstam radicalmente sua ação. A esses motivos que, como se vê, são importantes, acrescentemos que os transportes exigem sempre maior concentração e ao mesmo tempo maior difusão de certos fluidos, que só podem ser obtidos com médiuns muito bem dotados, médiuns, numa palavra, cujo aparelho eletro-medianímico seja bem condicionado.
É necessária que exista entre o Espírito e o médium certa afinidade, certa analogia, numa palavra, uma determinada semelhança capaz de permitir que a parte expansível do fluido perispirítico do encarnado se misture, se una, se combine com o do Espírito que deseja fazer o transporte.
Não me é permitido, por enquanto, desvendar-vos as leis particulares que regem os gases e os fluidos que vos envolvem. Mas, antes que alguns anos tenham decorrido, antes que uma existência de homem seja concluída, a explicação dessas leis e desses fenômenos vos será revelada e vereis surgir e desenvolver-se uma variedade nova de médiuns, que agirão num estado cataléptico particular ao serem mediunizados.
Resumindo: os fenômenos de tangibilidade são frequentes, mas os de transporte são muito raros, porque as condições em que se produzem bastante difíceis. Em consequência, nenhum médium pode dizer: Em tal hora ou em tal momento, obterei um transporte, porque muitas vezes o próprio Espírito se encontra impedido de fazê-lo. Devo acrescentar que esses fenômenos são duplamente difíceis em público, porque quase sempre, entre este, se encontram elementos energicamente refratários, que paralisam os esforços do Espírito e, com mais forte razão, a ação do médium.
Particularidades do Fenômeno de Transporte
Estudando o item 99, verificamos que Allan Kardec interrogou o Espírito que produzia o fenômeno em estudo, porém identificou sua falta de conhecimento sobre o assunto, o que o levou a perguntar ao Espírito Erasto, que, de forma judiciosa, esclareceu conforme transcrevemos:
1a - Dize-nos por que os transportes que acabaste de executar só se produzem estando o médium em estado sonambúlico?
"Por causa da natureza do médium. Os fatos que produzo, quando ele (o médium) dorme, poderia produzi-los igualmente com outro médium em estado de vigília".
2a - Por que demorais tanto a trazer objetos e por que é que avivas a cobiça do médium, excitando-lhe o desejo de obter o objeto prometido?
"Necessito de tempo para preparar os fluidos que servem para o transporte. Quanto à excitação, essa só tem por fim, as mais das vezes, divertir as pessoas presentes e o sonâmbulo".
NOTA DE ERASTO. O Espírito que responde não sabe mais do que isso; não percebe o motivo dessa cobiça, que ele instintivamente aguça, sem lhe compreender o efeito. Julga proporcionar um divertimento, enquanto que, na realidade, provoca, sem o suspeitar, uma emissão maior de fluido. É uma conseqüência da dificuldade que o fenômeno apresenta, dificuldade sempre maior quando ele não é espontâneo, sobretudo com certos médiuns.
3a - A produção do fenômeno depende da natureza especial do médium e poderia produzir-se por outros médiuns com mais facilidade e presteza?
"A produção depende da natureza do médium e o fenômeno não se pode produzir, senão por meio de naturezas correspondentes. Quanto à presteza, o hábito que adquirimos, comunicando-nos freqüentemente com o mesmo médium, nos é de grande vantagem".
4a - As pessoas presentes influem alguma coisa no fenômeno?
"Quando há da parte delas incredulidade, oposição, muito nos podem embaraçar. Preferimos apresentar nossas provas aos crentes e a pessoas versadas no Espiritismo. Não quero, porém, dizer com isso que a má-vontade consiga paralisar-nos inteiramente".
5a - Onde foste buscar as flores e os confeitos que trouxeste para aqui?
"As flores, nos jardins, onde elas me agradam".
NOTA DE ERASTO. Creio que o fato foi explicado de modo incompleto, em virtude da falta de conhecimento do Espírito que respondeu. Sim, de fato, pode resultar prejuízo real; mas, o Espírito não quis passar por haver desviado o que quer que fosse. Um objeto só pode ser substituído por outro objeto idêntico, da mesma forma, do mesmo valor. Assim, se um Espírito tivesse a possibilidade de substituir um objeto tirado, não haveria razão para o tirar, pois poderia dar o que serve de substituto.
8a - É possível transportar flores de outro planeta?
"Não, para mim isso não é possível".
A Erasto: Teriam outros Espíritos esse poder?
"Não, isso não é possível, em virtude da diferença dos meios ambientes".
9a - Poderias trazer-nos flores de outro hemisfério; dos trópicos, por exemplo?
"Desde que seja da Terra, posso".
10a - Poderias fazer que os objetos trazidos nos desaparecessem da vista e levá-los novamente?
"Assim como os trouxe aqui, posso levá-los, à minha vontade".
12a - Quais são as dificuldades que encontras?
"Nenhuma outra, além das más disposições fluídicas, que nos podem ser contrárias".
13a - Como trazes o objeto? Será segurando-o com as mãos?
"Não; envolvo-o em mim mesmo".
NOTA DE ERASTO. A resposta não explica de claramente a sua operação, pois na verdade não envolve o objeto na sua pessoa. Como o seu fluido pessoal pode dilatar-se, é penetrável e expansível, ele combina uma parte desse fluido com o fluido animalizado do médium e é nesta combinação que oculta e transporta o objeto que escolheu para transportar. Não é certo dizer, portanto, que o envolve nele mesmo.
14a - Transportaria com a mesma facilidade um objeto mais pesado; de 50 quilos, por exemplo?
"O peso nada é para nós. Trazemos flores, porque agrada mais do que um volume pesado".
NOTA DE ERASTO. Não é a matéria propriamente dita que os envolve, mas um fluido tirado em parte do perispírito do médium e em parte (metade de cada um) do Espírito operador.
20a - A Erasto: Um objeto pode ser transportado para um lugar completamente fechado; numa palavra, o espírito pode espiritualizar um objeto material de maneira que ele possa penetrar a matéria?
"Esta questão é complexa. O Espírito pode tornar invisíveis os objetos transportados, mas não penetráveis. Não pode desfazer a agregação da matéria, o que seria a destruição do objeto. Tornando-o invisível, pode carregá-lo quando quiser e só o largar no momento conveniente para fazê-lo aparecer. Bem diferente o que se passa com os objetos que compomos. Nestes introduzimos apenas os elementos da matéria e como esses elementos são essencialmente penetráveis, como atravessamos os corpos mais densos com as mesmas facilidades dos raios solares atravessando as vidraças, podemos perfeitamente dizer que introduzimos o objeto num lugar, por mais fechado que ele esteja. Mas isso somente nesse caso".
Concluindo nosso estudo do capítulo V, através das respostas de Erasto, compreendemos que os Espíritos estão por toda parte, são uma das forças da Natureza em constante ação no Universo. Agem naturalmente ao nosso redor e criam condições para o cumprimento de nossas experiências. Nada há de misterioso ou sobrenatural nisso, mas sim, trata-se de um aspecto da Natureza que o Espiritismo vem esclarecer.
Resumo realizado por Pedro Salcedo, no Grupo de estudos 1 de sabado no CELE (29/05/2010)
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